Estudantes do 2º grau da Escola Estadual Antônio Moraes de Barros, no Jardim Bandeirantes (zona oeste de Londrina), assumiram o papel dos professores. Eles estão ensinando analfabetos e semi-analfabetos a ler e a escrever.
É que eles são monitores voluntários do curso de alfabetização de adultos, implantado pela escola. O projeto conta com a colaboração das igrejas Presbiteriana do Brasil, Presbiteriana Independente e pela Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem.
Celso PachecoDesafio:
Isolina: ‘‘Vou conseguir ler e escrever’’O curso é formado por três turmas, sendo uma com 10 e duas com oito alunos. E já há interessados suficientes para formar mais três salas, que devem iniciar as atividades na próxima semana. A idade dos alunos matriculados varia de 33 a 78 anos. Mas qualquer interessado com mais de 14 anos pode se inscrever.
Por enquanto o projeto está sendo desenvolvido somente na região do Jardim Bandeirantes. Mas a intenção é estendê-lo para outras escolas e bairros, podendo ser implantada inclusive em salões sociais, centros comunitários, paróquias, assentamentos, ocupações, associações de moradores.
‘‘O objetivo do curso é dar a oportunidade para que analfabetos ou semi-alfabetizados possam aprender, pelo menos, a ler e a escrever. Os que tiverem interesse e condições poderão ser preparados para os exames de equivalência e obter certificação, de 1ª a 4ª série e, até mesmo, de 5ª a 8ª’’, explica o professor Durvalino Biliato, coordenador do projeto.
Celso PachecoRetorno
Celina:‘‘Desta vez tudo vai dar certo’’Biliato destaca que o curso não se limita ao aprendizado mecânico do processo de escrita e leitura. ‘‘Adotamos o método construtivista, com base nas experiências de Paulo Freire e Emília Ferreira. A preocupação não é só com a mera alfabetização, mas também com a construção da cidadania. Ou seja, consideramos a realidade e o cotidiano dos educandos’’, explica. Segundo ele, outras experiências, como o Projeto de Educação do Assalariado Rural Temporário (Peart), têm demonstrado que é possível até mesmo para pessoas da terceira idade se alfabetizar e exercer a cidadania.
‘‘Práticas rotineiras, como fazer um bolo seguindo a receita; tomar ônibus sem ter que perguntar a ninguém o itinerário; fazer compras no mercado lendo preços e fazendo pagamento sem problemas; receber a pensão ou aposentadoria sem ter que borrar o dedo; e até ler a Bíblia ou acompanhar a liturgia na Igreja são atividades de cidadania’’, enfatiza Biliato.
Na avaliação das monitoras Viviane Cardoso de Oliveira e Josyane Medeiros da Silva, o método de ensino possibilita ao aluno escrever textos assim que consegue conectar letras e palavras. Elas estão na expectativa de que até no final do ano todos estejam alfabetizados, lendo e escrevendo pequenos textos e recados, como qualquer criança do ciclo básico (antiga 1ª e 2ª séries). Mas, para a obtenção do certificado de 12 a 4ª série, as monitoras entendem que ainda será necessário pelo menos um ano e meio de estudos, além de ser aprovado no exame de equivalência feito pela Secretaria de Educação.

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