Estudantes aprendem a evitar queimaduras
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segunda-feira, 08 de setembro de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Queimaduras fazem mais de 1 milhão de vítimas por ano, segundo dados da Sociedade Brasileira de Queimaduras. Deste total, mais da metade dos acidentes envolvem crianças. Com o intuito de alertar os pequenos, uma equipe de profissionais do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Universitário de Londrina se reveza na realização de palestras gratuitas em escolas, clubes e associações de bairro. Ontem foi a vez de 123 estudantes de uma escola particular da Região Central, com idade entre seis e 12 anos, aprenderem a se prevenir contra os males do fogo.
Segundo a chefe da divisão de enfermagem do Centro de Tratamento de Queimados, Elza Tokushima Anami, queimadura ainda é mito para a população. ''Ninguém tem idéia da gravidade dos pequenos acidentes, já que o que chega aos hospitais são só casos em que há risco de morte. É preciso falar disso.''
Durante a palestra, Elza apresentou a estrutura do hospital, por meio de fotos, e, de forma lúdica, usando figuras para ilustrar os casos, elencou as principais causas de queimaduras em crianças e adultos. Segundo ela, a cozinha é o local da casa onde mais acontecem acidentes, principalmente com líquidos aquecidos, como leite, sopa e até café.
''Choques elétricos e acidentes de trabalho completam a lista'', informou a enfermeira, que defende o fim do uso do álcool líquido, banido em outros países, mas ainda muito utilizado pelos brasileiros. ''Não adianta se desesperar depois do acidente, é preciso prenevir-se'', alertou Elza, revelando que no País, 150 mil pessoas são vítimas de queimaduras provocadas por álcool líquido anualmente e deste total, 45 mil são crianças.
Dicas
Entre algumas dicas para evitar acidentes na cozinha, a enfermeira citou avisar quando o forno estiver ligado, posicionar o cabo das panelas sempre para o lado de dentro do fogão e nunca coar café na beirada da pia. ''O ideal é que a criança não esteja presente enquanto a mãe estiver cozinhando.''
Jamais deixar os filhos manusearem fósforos, isqueiros ou fogos de artifício e manter velas em recipientes não inflamáveis e que fiquem de pé, além de apagá-las sempre antes de dormir ou sair de casa também foram dicas da enfermeira aos estudantes.
Entre os pequenos, os acidentes costumam atingir principalmente a face e o pescoço, ressaltou Elza. Já entre os idosos, as queimaduras acontecem na região da barriga e do períneo. ''Isso porque eles têm pouca habilidade com as mãos e costumam derramar sopas e chás quentes pelo corpo.''
Segundo a enfermeira, a gravidade da queimadura depende da extensão, profundidade e parte do corpo que atinge. O principal sintoma das queimaduras de primeiro grau é a vermelhidão; nas de segundo grau há presença de bolhas e nas queimaduras de terceiro grau ocorre a destruição das camadas da pele. ''Não há dor no local pois a queimadura é mais profunda.''
Para Elza, ensinar diretamente as crianças é tão eficiente quanto falar aos adultos. ''Elas levam a mensagem para os pais e familiares'', disse a enfermeira, contando que os alunos sempre reagem de forma positiva aos ensinamentos. ''Percebo que eles não estão tão informados, que estão distantes da realidade. Eles fazem muitas perguntas e até lembram de casos que já aconteceram na casa deles. É um intercâmbio.''
Serviço- telefones úteis: Samu 192; Siate 193; Centro de Tratamento de Queimados (43) 3371-2692.


