Estudantes alegram dia de crianças internadas
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quinta-feira, 17 de junho de 2004
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Bastam duas caixas cheias de brinquedos e muita disposição das estudantes Tallita Fahl Kemmer e Vivian Marques Figueira de Mello, ambas com 20 anos, para alegrar a tarde das crianças internadas no Hospital da Zona Norte (HZN), em Londrina. Voluntárias há um ano no hospital, as estudantes do 3º ano de psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) contam histórias e ajudam no preparo emocional das crianças para as cirurgias. Agora, querem estender o trabalho para adultos e já contam com o apoio da direção do hospital para implantar um projeto de voluntariado. ''Queremos que a criança tenha uma permanência mais feliz, que a lembrança do hospital não seja tão traumática'', ressaltou o diretor geral do HZN, Paulo Gutierrez.
No caso das crianças internadas, o objetivo é que elas tenham atendimento diário de voluntários, já que Tallita e Vivian só conseguem disponibilizar duas tardes por semana. Outro plano das jovens é montar um brinquedoteca, também com a ajuda da comunidade. ''Já conseguimos um espaço com a direção do hospital, a doação de madeira com uma empresa da cidade e de vidro com outra, e o trabalho de dois marceneiros para montar um armário'', explicou Vivian.
''Quem se candidatar a voluntário poderá ficar na brinquedoteca, um lugar para as crianças brincarem, ou na enfermaria entretendo e contando histórias para aquelas que não podem sair da cama. Isso, uma vez por semana, por apenas quatro horas'', acrescentou Vivian. Outra forma de ajudar, segundo as jovens, é com a doação de brinquedos, livros, uma TV, um vídeo e um rádio. Estes últimos para implantar uma área de lazer também para adultos e promover sessões de ''cinema''.
Segundo as estudantes, não é preciso muito para ser voluntário: ''Os requisitos são ter idade maior que 18 anos e ter muita vontade de trabalhar. É uma atividade gratificante'', resumiram. E isso é fácil de perceber, não dá para ficar indiferente quando o bebê pára de chorar para prestar atenção nelas ou quando os olhinhos do menino ''brilham'' com o colorido dos brinquedos. ''Um dos benefícios do trabalho voluntário é a redução do tempo de internação, não temos isso em números, mas as crianças ficam mais receptivas ao tratamento quando têm o que fazer, com o que se distrair'', explicou Gutierrez.
Internado na última segunda-feira por conta de uma pneumonia, Arnaldo Vincoleto Neto, de ''quase cinco anos'', conforme a tia Sônia Regina Brito, que tomava conta do menino, foi um dos ''conquistados'' pela visita das jovens. Experimentou brincar com uma nave espacial de plástico, mas ficou encantado mesmo com os bonecos vestidos de médicos e pacientes, as injeções, a ''máscara que solta fumacinha'', na verdade a imitação de um aparelho para inalação, e o termômetro. Não foi à toa: ''Quando a criança consegue entender porque está no hospital, um ambiente muito aversivo para ela, consegue lidar melhor com os procedimentos médicos, aceitar melhor a medicação, entender que mesmo com dor aquele tratamento é o melhor para ela'', disse Tallita.
Serviço: Interessados em trabalhar como voluntário no Hospital da Zona Norte deve procurar o setor de serviço social através do telefone (43) 3326-4660.


