Londrina

Josoé de CarvalhoConsciência ecológicaOs estudantes se unem para proteger a árvore: iniciativa surgiu durante aula de HistóriaA árvore de pau-brasil da Praça Marechal Floriano Peixoto, perto da Catedral (centro) ganhou um grupo de anjos da guarda. Os alunos de 5ª e 6ª séries do Colégio Universitário decidiram ‘‘adotar’’ a árvore e ontem à tarde colocaram uma placa sinalizando a presença da espécie Caesalpinia echinata, da família Leguminosae. Para o ‘batismo’ do pau-brasil foi organizada uma cerimônia solene com descerramento de placa e presença da maior autoridade do colégio, o diretor Alderi Ferrarezi e do presidente da Autarquia do Meio Ambiente, Nelson Kohatsu.
E se a placa é singela - feita de madeira e escrita em letras pintadas - firme pareceu ser a decisão dos alunos de preservar o único exemplar que conhecem ‘ao vivo e a cores’ da espécie que acabou dando o nome ao nosso país. Nos cartazes e faixas feitos especialmente para a cerimônia, as frases deixavam clara uma consciência ecológica definida: ‘‘Por um Brasil mais verde’’, ‘‘Quem protege é mais forte’’, ‘‘Seja bacana, não deixe a natureza entrar em cana’’ e, para finalizar, ‘‘Tudo depende de você.’’
Nelson Kohatsu elogiou a iniciativa dos alunos. ‘‘Além de ajudar a preservar a árvore, os alunos estão sensibilizando a comunidade mostrando, a quem passar, que ali existe vida que precisa ser respeitada’’, afirma. Segundo Kohatsu, o pau-brasil da praça tem cerca de 20 anos e, apesar de estar frondoso, apresenta evidentes sinais de ter sofrido depredações.
A professora de História, Leila Andrade, contou que a iniciativa de colocar a placa partiu dos próprios alunos e surgiu durante uma das aulas da disciplina. ‘‘Toda vez que abordávamos a fase da extração do pau-brasil, as crianças afirmavam já ter visto a árvore e todas se referiam, em especial, a esta árvore.’’ O reconhecimento, acrescenta, se deve principalmente a uma placa que, não se sabe porque, desapareceu ou foi retirada do local.
A placa, acredita, é uma referência importante que ajuda na conscientização ecológica e ressalta o papel importante que a espécie desempenhou na história do país. Leila Andrade lembra que, entre os anos de 1.500 e 1.530, a extração do pau-brasil era considerada uma das riquezas da terra. A seiva da árvore era utilizada pelos portugueses para tingir tecidos e foi a principal moeda de troca entre índios e exploradores. Os índios chamavam o pau-brasil de arobutã e não tinham utilização especial para sua madeira. A história, diz a professora, não explica porque a árvore começou a ser chamada de pau-brasil, enfatizando apenas que a denominação veio de Portugal.

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