Estudantes adotam pau-brasil plantado na Praça da Catedral
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terça-feira, 23 de setembro de 1997
Célia Baroni 
Londrina
Josoé de CarvalhoConsciência ecológicaOs estudantes se unem para proteger a árvore: iniciativa surgiu durante aula de HistóriaA árvore de pau-brasil da Praça Marechal Floriano Peixoto, perto da Catedral (centro) ganhou um grupo de anjos da guarda. Os alunos de 5ª e 6ª séries do Colégio Universitário decidiram adotar a árvore e ontem à tarde colocaram uma placa sinalizando a presença da espécie Caesalpinia echinata, da família Leguminosae. Para o batismo do pau-brasil foi organizada uma cerimônia solene com descerramento de placa e presença da maior autoridade do colégio, o diretor Alderi Ferrarezi e do presidente da Autarquia do Meio Ambiente, Nelson Kohatsu.
E se a placa é singela - feita de madeira e escrita em letras pintadas - firme pareceu ser a decisão dos alunos de preservar o único exemplar que conhecem ao vivo e a cores da espécie que acabou dando o nome ao nosso país. Nos cartazes e faixas feitos especialmente para a cerimônia, as frases deixavam clara uma consciência ecológica definida: Por um Brasil mais verde, Quem protege é mais forte, Seja bacana, não deixe a natureza entrar em cana e, para finalizar, Tudo depende de você.
Nelson Kohatsu elogiou a iniciativa dos alunos. Além de ajudar a preservar a árvore, os alunos estão sensibilizando a comunidade mostrando, a quem passar, que ali existe vida que precisa ser respeitada, afirma. Segundo Kohatsu, o pau-brasil da praça tem cerca de 20 anos e, apesar de estar frondoso, apresenta evidentes sinais de ter sofrido depredações.
A professora de História, Leila Andrade, contou que a iniciativa de colocar a placa partiu dos próprios alunos e surgiu durante uma das aulas da disciplina. Toda vez que abordávamos a fase da extração do pau-brasil, as crianças afirmavam já ter visto a árvore e todas se referiam, em especial, a esta árvore. O reconhecimento, acrescenta, se deve principalmente a uma placa que, não se sabe porque, desapareceu ou foi retirada do local.
A placa, acredita, é uma referência importante que ajuda na conscientização ecológica e ressalta o papel importante que a espécie desempenhou na história do país. Leila Andrade lembra que, entre os anos de 1.500 e 1.530, a extração do pau-brasil era considerada uma das riquezas da terra. A seiva da árvore era utilizada pelos portugueses para tingir tecidos e foi a principal moeda de troca entre índios e exploradores. Os índios chamavam o pau-brasil de arobutã e não tinham utilização especial para sua madeira. A história, diz a professora, não explica porque a árvore começou a ser chamada de pau-brasil, enfatizando apenas que a denominação veio de Portugal.


