Estudantes e sem-terra participaram ontem de manhã de um ato público no centro de Campo Mourão. A princípio, o manifesto deveria reunir apenas alunos de escolas públicas, que queriam aproveitar o Dia do Estudante, comemorado ontem, para protestar contra o Programa de Expansão do Ensino Médio (Proem) e contra a Paraná Educação, que ‘‘terceirizou’’ a contratação de professores no Estado. Os estudantes aproveitaram a passagem da Marcha pelo Brasil pela cidade e convidaram os sem-terra para o manifesto.
‘‘Também estamos protestando contra a privatização do ensino e pedindo uma escola pública com mais qualidade’’, disse o presidente da União Mourãoense dos Estudantes (Umes), Émerson Schmidt, 19 anos. O manifesto durou cerca de uma hora e não reuniu mais de 80 pessoas. A presença de várias bandeiras do MST no centro da cidade, no entanto, chamou a atenção de quem passou pelo local. Foram feitos alguns discursos e entregues panfletos a quem passava pelo calçadão. Num deles, a Umes pedia apoio aos sem-terra.
A movimentação foi acompanhada por apenas dois policiais militares. Do calçadão, estudantes e sem-terra seguiram para dois colégios estaduais da cidade. De acordo com o sem-terra Valdir Oliveira, 20 anos, o grupo deve ficar em Campo Mourão até hoje ao meio-dia. Depois eles partem para Peabiru, onde há um assentamento já regularizado pelo Incra.
Noroeste Com capas de plástico transparentes para se proteger da chuva, os cerca de 200 sem-terra que saíram de Querência do Norte (113 km a oeste de Maringá) no dia 3 chegaram às 15 horas na entrada de Maringá. Após descansar durante uma hora, a coluna seguiu até a Praça Raposo Tavares, onde foi realizado culto ecumênico às 19h30.
Um dos coordenadores da coluna, Sebastião Dias dos Santos, 42 anos, disse que os sem-terra caminharam cerca de 200 quilômetros, desde Querência do Norte. ‘‘Tivemos que acampar em Paranavaí, e nas outras cidades fomos recebidos em abrigos de igrejas e colégios’’, disse.
Um ônibus do MST acompanhou a marcha até Maringá e foi usado somente por crianças e mulheres que se cansaram ou tiveram problemas de saúde. A coluna ficará em Maringá até sexta-feira. Os sem-terra ficarão acampados no ginásio de esportes Chico Neto. Coordenadores farão palestras em escolas e paróquias, além de marchas pela cidade, explicando as origens e os motivos do movimento.

mockup