Estudantes acusam escolas particulares de abuso
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de abril de 2002
Denise Angelo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Os vereadores que integram a Comissão Especial de Investigação (CEI) da Câmara Municipal de Curitiba que apura a possível prática de preços abusivos pelas escolas particulares ouviram ontem o presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Tuiuti do Paraná, Carlos Manieri, e o presidente eleito do DCE da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC), Luiz Gustavo Pires. Segundo os estudantes, as duas instituições têm extrapolado os limites legais na cobrança de mensalidades.
O presidente do DCE da Tuiuti, Carlos Manieri, acusou a instituição em que estuda de apresentar as propostas de reajuste das mensalidades sempre no final do ano, período em que os estudantes ficam desmobilizados e não têm força política para negociar. Nos dois últimos anos, segundo Manieri, as mensalidades foram reajustadas em 26,9%. Além disso, a instituição não estaria apresentando sua planilha de custos para justificar os aumentos, prática que é ilegal.
Na Tuiuti, segundo Manieri, existem outros fatores que prejudicam os alunos, além do aumento das mensalidades. É caso da cobrança de taxas protocolares, a maioria na casa dos R$ 10,00. Outra reclamação na Tuiuti é quanto a mudança nos contratos do curso de Direito que de anuais passaram a ser semestrais. O aluno que não consegue financiamento no primeiro semestre perde a chance de estudar porque não estando matriculado no segundo semestre, não poderá fazer nova tentativa de financiamento, explicou.
O presidente eleito do DCE da PUC, Luiz Gustavo Pires, também reclamou do período de negociações do reajuste da mensalidade. Segundo ele, a PUC apresenta uma planilha na hora de negociar com os estudantes, porém é uma planilha não detalhada. No início deste ano, as mensalidades foram reajustadas em 6,59%. No período de negociação de reajuste, os estudantes apresentam à reitoria uma relação do que precisa ser melhorado em cada curso. Segundo Pires, até agora nenhuma das reivindicações foram atendidas, apesar do valor reajustado estar sendo cobrado desde o início do ano letivo.
Pires também considera que a inadimplência não pode ser usada como argumento para o reajuste das mensalidades porque no final do ano, o aluno que não coloca em dia sua dívida não pode fazer nova matrícula.
O presidente da CEI, vereador Roberto Gomyde (PC do B), informou que na próxima terça-feira a comissão vai ouvir os representantes dos Procons e na sequência deve convocar representantes das instituições mais denunciadas durante o processo investigativo.


