Estudantes acampam na Câmara
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terça-feira, 10 de junho de 2003
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Trinta estudantes ocuparam por aproximadamente 14 horas o plenário da Câmara de Vereadores de Londrina, em protesto contra o aumento da tarifa de ônibus. A principal reivindicação deles era que os 21 vereadores assinassem um documento posiciando-se a favor ou contra o reajuste e que todos participassem com os estudantes de uma audiência com o prefeito Nedson Micheleti (PT). Por causa do 'acampamento' a sessão de ontem foi adiada.
A ocupação começou anteontem, por volta das 23 horas, após o encerramento da audiência pública. Junto com eles ficaram o presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), e os vereadores Jamil Janene (PDT) e Rubens Canizares (PHS).
Estudantes reclamaram que os vereadores teriam tentado expulsá-los de lá a qualquer custo, inclusive ligando o ar-condicionado ao máximo. ''Eles não tiveram uma atitude nada razoável'', afirmou o coordenador do DCE, Rafael Moraes. Bonilha confirmou o boicote: ''O ar condicionado ficou ligado a noite inteira''.
O impasse durou toda a manhã. O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina, tenente-coronel Rubens Guimarães, também tentou negociar. Os estudantes queriam comer, mas o presidente não autorizava a entrada de comida no plenário. ''A Câmara não é lugar para fazer pique-nique. Não temos que negociar nada. Eles estão de brincadeira'', disse Bonilha.
Aos poucos, os vereadores foram chegando. ''Todos os vereadores têm que ser favoráveis à redução. Se for necessário o reajuste, a prefeitura que assuma a diferença e não a população'', comentou Luis Carlos Tamarozzi (sem partido), que assinou o documento. ''O vereador não tem que tomar posição pessoal. Todos sabemos que esse documento que eles querem que assinemos não tem nenhum valor'', opinou Márcia Lopes (PT), líder do prefeito na Câmara, que não quis assinar.
Por volta das 10 horas, o secretário municipal de Governo, Adalberto Pereira, chegou à Câmara para marcar a audiência dos estudantes com o prefeito. Os estudantes formaram a comissão, mas colocaram uma condição: ''Depois que chegar a comida vamos conversar com o prefeito'', disse Português. Os vereadores se reuniram e liberaram pão com mortadela e chá.
A comissão de manifestantes se reuniu com os vereadores para negociar a saída do plenário, mas não chegou a um acordo. Depois que os estudantes deixaram a reunião, alguns vereadores demonstraram nervosismo e pediram a retirada da imprensa. ''O plenário é a nossa casa e se a gente (os vereadores) não puder conversar com privacidade não dá'', reclamou Sidnei de Souza (PTB).
No início da noite de anteontem, uma denúncia anônima levou a PM a encontrar quatro garrafas contendo gasolina e pavios de pano bombas caseiras conhecidas como ''coquetéis molotov'' escondidas sob o viaduto da PR-445 de acesso à UEL. A suspeita da PM recaiu sobre os acadêmicos. Mas os estudantes negam qualquer participação e acusam a polícia de ter ''plantado'' as garrafas. (Colaborou Adriana Savicki)


