Sem-terra acampados na Fazenda São Luiz, no distrito de São Luiz, em Mariluz (35 quilômetros a sudeste de Umuarama) prenderam anteontem à tarde o estudante Moacir Carlos Peloi, 24 anos, que procurou o acampamento tentando negociar a desocupação da área. Peloi ficou quase 17 horas em poder dos sem-terra e só foi liberado por volta das 10 horas de ontem, quando policiais militares e jornalistas chegaram ao acampamento. O delegado de Mariluz, Joel Vicente dos Santos, instaurou inquérito.
Segundo os sem-terra, Peloi chegou no acampamento por volta das 17 horas de anteontem num Gol branco, sem placas. Outro homem que estava com ele teria ficado escondido num mato próximo. De acordo com os sem-terra, Peloi disse que estava no acampamento em nome do dono da fazenda, José Teixeira, de Presidente Prudente, para fazer uma proposta.
O fazendeiro estaria disposto a pagar entre R$ 500 e R$ 1 mil para cada família e dar o transporte para deixarem a fazenda. Os sem-terra desconfiaram de Peloi e resolveram segurá-lo no acampamento.
As cerca de 800 famílias acampadas na Fazenda São Luiz podem ser retiradas da área a qualquer momento. O dono da fazenda conseguiu reintegração de posse na Justiça e aguarda o cumprimento da ordem. Os sem-terra prometem resistir à desocupação. Ao tomar conhecimento de que os sem-terra mantinham uma pessoa presa, a Polícia Militar de Goioerê enviou aproximadamente 40 policiais ao acampamento.
Os sem-terra impediram a entrada da Polícia no acampamento. Eles só libertaram o estudante depois de conversar com jornalistas. Peloi foi obrigado a assinar uma declaração que não havia sido maltratado pelos sem-terra.
O administrador da fazenda Arnaldo Proença, de Goioerê, confirmou ontem que Peloi é amigo da família e foi enviado ao acampamento com a proposta de desocupação pacífica. ‘‘O proprietário está cansado de esperar o cumprimento da reintegração de posse’’, disse.
O comando da Polícia Militar em Campo Mourão informou que aguarda ordem da Secretaria de Segurança para desocupar a fazenda.

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