Cornélio Procópio A insônia, um dos males da vida moderna, deixou de ser um obstáculo para o bem-estar do estudante de jornalismo e especialista em informática Luís Henrique Pelissari, 25 anos. Para ele, vencer o sono é o primeiro passo para se tornar uma celebridade em Cornélio Procópio. ''Sempre fui louco. Esta é mais uma loucura'', dispara.
A ''loucura'' é a seguinte: se permanecer acordado até às 13 horas do domingo data em que o município irá estar em plenos festejos dos 66 anos de emancipação política, Pelissari irá colocar seu nome no RankBrasil, livro eletrônico editado em Curitiba que relaciona recordistas de todas as espécies.
O atual detentor do recorde é Gilberto Cruz. No ano passado, em Ribeirão Preto (SP), ele suportou 100 horas ininterruptas de sono. Indícios das dificuldades extremas das últimas horas foram as assustadoras demonstrações de perturbação mental do atual recordista. ''Ele teve alucinações, achava que estava em outro lugar e parecia sonhar acordado'', conta o auditor e diretor da publicação, Luciano Cadari.
O rapaz já andou ''treinando'' e, segundo o enfermeiro Agnaldo Aparecido Leite, apresentou normalidade em todos os seus sinais vitais depois de uma maratona de 96 horas sem dormir. O único efeito colateral apresentado foi uma intensa irritação. ''Acredito que ele quebre o recorde e por muito tempo a mais'', aposta. Pelissari está confiante, mas deixa escapar uma ponta de preocupação. ''Só estou nesta porque vi que tinha potencial. Mas é claro que preciso de alguém do meu lado. Já imaginou se eu surtar?''.
O candidato a recordista tem apoio oficial para a iniciativa. O exótico desafio rendeu à comunidade benfeitorias na Praça Brasil, um dos logradouros mais queridos da cidade, inaugurado em 1988 para celebrar o cinquentenário do município e os 80 anos da imigração japonesa no Brasil.
O banheiro feminino foi recuperado (agora, tem até chuveiro) e servirá a Pelissari com exclusividade. O telhado do coreto, antes danificado, está agora em perfeitas condições. Pode chover à vontade que o sofá, a esteira elétrica, o aparelho de som, o computador e o notebook do auditor estarão protegidos, assim como as caixas de isopor, lotadas com latinhas de energético e refrigerantes. O coreto, com 20 metros quadrados de área útil, mais parece uma sala de estar.
Um símbolo de ócio em qualquer localidade interiorana, a praça prossegue com seu bucolismo à toda prova. Enquanto Pelissari dá um ''gás'' na altura do som e cantarola Detonautas logo depois de bocejar, do outro lado, dezenas de aposentados se desafiam no truco. ''Não sabia de nada. Mas, acho que ele não consegue não'', comenta o motorista Valdivino Carrari, 67 anos.
A casa-coreto também recebe visitas. O desempregado Paulo Francisco Ribeiro, 22, foi conversar com o amigo para acertar os primeiros ensaios da banda de rock que terá Pelissari como vocalista. ''Já 'virei' cinco dias no Carnaval, mas tirava uns cochilos de manhã'', conta.

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