Estudante tem aula no saguão da UFPR
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de abril de 1999
Ana Maria Tonial 
Especial para a Folha
Estudantes de psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) assistiram, ontem pela manhã, a uma aula pública sentados no piso do saguão da reitoria, em Curitiba. O conteúdo didático foi repassado pela ex-professora da instituição, Catarina Gewehr. Em forma de protesto, a aula teve como principal reivindicação o retorno do curso para o prédio, na Rua XV de Novembro, esquina com a Dr. Faivre.
O grupo alega que as atuais salas ocupadas no edifício da Praça Santos Andrade são insuficientes para abrigar adequadamente os atuais 370 alunos que se dividem nos turnos matutino e vespertino. Além de pequenas, temos que aguentar ainda o barulho provocado pelo trânsito. Em determinadas horas as aulas têm que ser interrompidas pela poluição sonora, reclama o diretor de divulgação do centro acadêmico, Dafner Santos Hirye, 22 anos, que cursa o 5º ano de psicologia.
Os manifestantes prometem realizar outras ocupações extra-oficiais e se dizem contrários à indicação do prédio da UFPR como um dos símbolos de Curitiba, em campanha que está sendo promovida pela prefeitura e o Banco Itaú. Temos a mais linda fachada da cidade, mas por dentro as acomodações de psicologia estão longe de ser ideais.
Apoio - Os estudantes receberam apoio de alguns acadêmicos do curso de Comunicação Social. As queixas foram entregues ao reitor Carlos Roberto Antunes dos Santos, através de abaixo-assinado. Solicitamos a mudança para a reitoria há 36 meses e sempre recebemos a mesma resposta: que isto acontecerá em breve, alega Hirye. O curso de psicologia está há 15 anos no prédio central. Antes funcionava na reitoria.
O pró-reitor de Administração da UFPR, Flávio Zanette, admite que os alunos de psicologia estão apertados na ala direita do prédio central pela atual falta de espaço. Mas diz nunca ter recebido nenhuma reivindicação dos acadêmicos neste sentido. Zanette diz que, mesmo assim, desde o último dia 5, o problema ficou menor, já que foram entregues mais sete salas para os cursos de psicologia, turismo e comunicação social. Uma delas, para psicodrama, é de uso exclusivo dos futuros psicólogos.
Mas a solução definitiva demorará mais. Está prevista para o segundo semestre do próximo ano, com o término das obras do Setor de Ciências Sociais Aplicadas, no campus do Jardim Botânico. Para lá serão transferidos os setores de educação e humanas. Zanette afirma que foi oferecido recentemente aos acadêmicos de psicologia o espaço físico do prédio do Batel, mas eles recusaram. No semestre que vem, os cursos de arte se mudam para lá. O estudante Dafner Hirye diz que psicologia preferiu ficar no centro pois ali as instalações são menos precárias.
A chefe de Departamento de Psicologia, Norma Zandoná, reclama que os alunos desconheciam, na semana passada, que a universidade tinha cedido mais sete salas para três cursos do prédio central. Somos contra qualquer manifestação deste tipo. Além de mal informados, eles deveriam ter enviado documentos relatando o protesto à coordenadoria e chefia do curso, diz.


