O estudante Celso Garla Filho, 18 anos, um dos estudantes sequestrados no início de julho, em Londrina, classificou como ''absurda'' a acusação de que seu pai, o advogado Celso Garla, tenha sido o mentor do crime. A declaração foi feita ontem, em sua primeira entrevista desde quando foi libertado, no Fórum, onde prestou depoimento à juíza da 5 Vara Criminal, Oneide Negrão. Garla foi acusado de ser o mentor pelo também advogado Décio Vanderlei Nogueira, 36 anos, um dos réus no processo.
Em mais de três horas de depoimento, o estudante relatou à juíza tudo que aconteceu entre o dia 1 de julho, quando ele e o amigo, Thiago Lunardelli Fonseca, 18 anos, foram rendidos quando chegavam ao campus da faculdade onde estudam até o dia 5 de julho, quando os dois foram libertados sem o pagamento do resgate exigido de R$ 500 mil. Garla Filho confirmou que eles passaram por três cativeiros diferentes uma mata na zona sul, uma residência em Ibiporã (14 km a leste de Londrina) e o apartamento de Nogueira, também na zona sul.
Na rápida conversa que teve com a Folha, o estudante contou que um homem que fazia a guarda dos cativeiros teria falado claramente que ele e o colega tinham sido sequestrados. ''Ele (o sequestrador) falou: Vocês sabem o que é isso né? É um sequestro'', detalhou Garla Filho, completando que não tinha condições de precisar qual dos acusados teria feito essa declaração.
Durante os cinco dias que ficou em poder dos sequestradores, Garla Filho garantiu que em nenhum momento o nome de seu pai foi citado como sendo partícipe do crime. ''Ele (Nogueira) fez isso para tentar se livrar'', comentou.
A Folha apurou que em, pelo menos, uma ocasião, Garla Filho teve medo de ser morto. Foi quando os estudantes foram removidos do cativeiro da residência de Ibiporã para o apartamento de Nogueira. Eles seguiram no porta-malas do veículo do advogado e foram separados para serem transportados em uma motocicleta até o apartamento.
As declarações completas do estudante só serão juntadas aos autos quando as vítimas e todas testemunhas da acusação forem ouvidas. O defensor de Garla, o advogado André Luiz Salvador, comentou que as afirmações do estudante reforçam a inocência de seu cliente e confirmam a participação dos outros cinco acusados.
No início da noite de ontem, a juíza ainda ouvia o pai de Thiago Lunardelli Fonseca, o comerciante Sérgio Garcia Fonseca. Thiago será ouvido na manhã de hoje. Outras 12 testemunhas foram intimadas a comparecer perante a juíza.
Ao todo, o Ministério Público acusou seis pessoas de envolvimento no crime: Décio Vanderlei Nogueira, Luciano Ribeiro dos Santos, 21 anos, e Oreles Timph, 46 anos, estão presos. Celso Garla e Lucinéia Ribeiro dos Santos, 24 anos, respondem ao processo em liberdade. Claudemir Sandoval, 24 anos, teve prisão decretada mas está foragido.

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