Estudante se enforca na cadeia de Maringá
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segunda-feira, 03 de julho de 2000
Lucinéia Parra De Maringá 
A Polícia de Maringá abriu inquérito para apurar o suicídio do estudante Celso Saucedo Domingues Júnior, 20 anos, que se enforcou numa cela da cadeia da 9ª Subdivisão Policial, domingo de madrugada. Ele foi preso em flagrante portando um revólver calibre 38 sem documentação, depois de se envolver em uma briga na Praça Manoel Ribas, centro da cidade. Segundo o delegado Benedito Gonçalves, não resta dúvidas do suicídio, mas o inquérito vai tentar apurar os motivos que levaram o estudante a se matar.
Domingues Júnior faz parte de um grupo skinhead, e já tinha outras passagens pela polícia. No sábado à noite, junto com outros integrantes do grupo, ele se envolveu em uma briga próximo aos bares mais movimentados de Maringá. Com a chegada da polícia os colegas de Domingues Júnior fugiram, mas ele ficou no local, sendo flagrado com a arma que tinha cinco cartuchos intactos. Na delegacia, Domingues Júnior foi levado para uma cela, enquanto aguardava os depoimentos das vítimas. De acordo com Gonçalves, o estudante ficou na cela por aproximadamente 10 minutos.
Segundo versão de outro homem que estava na mesma cela, aguardando ser ouvido por dirigir embriagado, Domingues Júnior tirou a camiseta e rasgou em tiras. Ele então pendurou a corda feita das tiras na parte superior da grade da porta e passou no pescoço, largando o corpo. O delegado disse que o estudante tinha estatura média, mas ficou pendurado a alguns centímetros do chão. O outro rapaz que estava na cela gritou para alertar os funcionários mas havia muito movimento na cadeia naquele momento. Quando o carcereiro chegou, Celso já estava morto, afirmou Gonçalves. Ele não quis identificar a testemunha do suicídio.
Domingues Júnior respondia a dois inquéritos. Em 1996, foi apontado como um dos líderes que estaria convocando simpatizantes dos skinheads para uma reunião em Maringá. Ano passado, ele foi acusado de tentativa de furto em uma loja na Avenida Colombo. Tivemos informações que ele prometia se matar caso fosse preso mais uma vez, contou o delegado. As informações foram passadas por pessoas ligadas à família.
Um outro rapaz que deixava uma cela escutou ele falando que ia se matar porque perdeu a namorada e a arma, revelou Gonçalves.


