Estudante provoca aborto e joga bebê
Estudante provoca aborto e joga bebê
Celiane dos Santos, 20 anos, que escondia a gravidez de oito meses, jogou o recém-nascido no quintal de uma casa vizinha
Lucinéia Parra
Marcos Negrini
A estudante Celiane dos Santos, 20 anos, fez aborto e jogou o bebê no quintal da casa vizinha, na madrugada de ontem, em Sarandi (7 km de Maringá). Celiane estava grávida de oito meses e meio mas escondeu a gestação dos tios, com quem mora há 10 anos. Na madrugada de ontem, ela começou sentir as contrações do parto e, sem que ninguém percebesse, foi até o banheiro da casa, onde retirou a criança sozinha. Minutos depois, Celiane jogou o bebê, uma menina com 2,8 quilos, no quintal da vizinha. A criança caiu em cima de uma plantação de mandioca. Ela foi jogada de uma altura de aproximadamente 1,5 metro.
O morador da casa vizinha da estudante, Manoel Paulino dos Santos, 50 anos, socorreu a criança logo após ela ter sido jogada. O filho dele, Marcelo Júnior dos Santos, 21 anos, disse que o pai estava acordado quando ouviu um choro de criança. A princípio ele pensou que poderia ser o nascimento do filho da moradora do fundo da casa dele. Depois, Manoel percebeu que o choro era muito forte e dava a impressão de que a criança estava bem próxima.
Ao sair no quintal, Manoel viu o bebê, ainda com o corpo coberto de sangue, jogado no mandiocal. Imediatamente ele chamou a polícia, que levou a criança para o Hospital Metropolitano de Sarandi. Meia hora depois, por volta das 4 horas, Celiane foi internada com hemorragia provocada pelo aborto.
Marcos Negrini
ArrependimentoOntem de manhã, no hospital, Celiane amamentou a filha e disse que não pretende se separar mais dela: Estou arrependida. Só joguei minha filha porque estava com medo de meus tiosEla só admitiu ser a mãe do bebê no hospital, quando foi interrogada por policiais. Antes de ser levada para o hospital, Celiane teria atendido a vizinha que estava acionando os moradores da região para tentar identificar quem poderia ter jogado o bebê.
Celiane falou com a minha mãe e estava com a calça suja de sangue, mas nós nem imaginamos que seria ela a mãe do bebê porque não sabíamos que ela estava grávida. Celiane falou com a minha mãe e entrou para chamar a tia dela, mas não admitiu que era ela a mãe do bebê, disse Marcelo.
No hospital, Celiane disse que se arrependeu do que tinha feito. Ela disse que jogou a filha porque estava com medo dos tios. Sobre o pai da criança, ela afirmou que chegou a falar com ele sobre a gravidez mas o rapaz teria dito que depois conversariam sobre o que fazer.
Talvez ainda com medo do que poderia acontecer, Celiane disse à Folha ontem de manhã que achava que estava de quatro meses. Ela também afirmou que não fez nenhuma consulta pré-natal e que não chegou a cortar o cordão umbilical. O bebê saiu sozinho, disse.
De acordo com o médico que atendeu a estudante, Donizete Hernandes, aparentemente mãe e filha não correm risco de vida. Ele ainda deveria fazer exames mais completos ontem à tarde. Conforme o médico, Celiane ou qualquer outra pessoa cortou o cordão umbilical.
O cordão não se rompe sozinho, explicou. Hernandes estava surpreso pela resistência do bebê que chegou no hospital com o cordão umbilical ainda sangrando.
Após o parto deve-se fazer a laqueadura (nó) do cordão para que a criança não tenha hemorragia e isso não foi feito, garantiu. Celiane, conforme Hernandes, teve a placenta retirada no pronto-socorro de Sarandi, onde ela recebeu os primeiros socorros. Ela foi medicada com antibióticos e esperava o resultado do exame de sangue.
Ontem de manhã Celiane amamentou a filha e disse que não pretende se separar mais dela. A estudante ainda não tinha escolhido o nome do bebê.
Ato impensado A auxiliar de embalagem Mafalda Sacom, tia de Celiane dos Santos, disse ontem que a estudante jogou a filha num ato impensado. Mafalda não sabia que Celiane estava grávida e disse que os tios com quem a estudante mora também não sabiam. Ela garantiu que vai dar apoio a Celiane para que ela possa ficar com a criança.
Eu e toda minha família vamos ajudar a Celiane e tenho certeza de que nada disso teria acontecido se ela tivesse nos contado que estava grávida, afirmou Mafalda.
Segundo ela, a estudante sempre foi um pouco gordinha e que por isso ninguém desconfiou que ela estava grávida. No sábado ela reclamou de dor, mas achamos que era uma cólica menstrual, muito comum em jovens, disse Mafalda.
Medo Nem mesmo na madrugada de domingo, quando os tios de Celiane foram chamar o irmão dela para levá-la ao pronto-socorro, a família suspeitou que ela estava grávida e que teria cometido o aborto. Para Mafalda, Celiane jogou a filha porque estava com medo dos familiares.
Ela deve ter ficado com vergonha e com medo porque é solteira e estava assumindo a gravidez sozinha, disse. Conforme Mafalda, Celiane não sai muito de casa. Eu nem sabia que ela tinha namorado.





