Estudante nega que racha provocou atropelamento
Maigue Gueths
De Curitiba
O estudante Ederson Angelo Cavassin, de 21 anos, foi identificado ontem na Delegacia de Colombo, como sendo o motorista do segundo veículo envolvido no atropelamento da garota Elisa Martins, 10 anos, que aconteceu por volta das 18 horas de terça-feira, na Estrada da Uva, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba. Cavassin, que dirigia o Monza azul placas ABG 1600, negou que ele e Marcelo Nunes Monteiro, motorista do Corsa placas AIS 7076, que atropelou Elisa e sua irmã Everli Martins, 14 anos, estivessem fazendo um racha no momento do acidente. Afirmou, ainda, que não fugiu do local, como foi noticiado, tendo inclusive prestado socorro às vítimas enquanto aguardava a chegada do Siate.
Cavassin, que é estudante de Administração, compareceu à delegacia acompanhado de advogado e do amigo Cláudio Assis Broto, 25 anos, cabeleireiro e estudante de Contabilidade, que estava junto com ele no carro, e foi arrolado como testemunha. Ambos alegam que estavam a uma velocidade de cerca de 70 a 80 quilômetros por hora a caminho da universidade, em Curitiba. Estava atrás de dois carros, quando vi que o carro de trás, que eu não sabia que era do Marcelo, ía me podar. Pelo retrovisor vi, então, que um cachorro saiu para a pista, o Marcelo tentou desviar e perdeu a direção, invadindo a calçada até bater na árvore, disse Cavassin. Em seguida, ele e o amigo teriam permanecido no local por umas duas horas, atendendo as vítimas. Cavassin ainda teria ligado para o Corpo de Bombeiros, polícia rodoviária e para a família do rapaz.
Outras três testemunhas ouvidas na quarta-feira, entretanto, caracterizaram a situação como um racha entre os carros. O motorista do Gol Sérgio Gilberto Ribeiro e seu passageiro José Luís de Brito afirmaram que foram ultrapassados pouco antes do acidente por ambos os carros envolvidos, em alta velocidade, chegando inclusive a comentar entre eles que tratava-se de um racha. Outra testemunha, Beatriz Mânica, moradora do quilômetro 7,5, onde ocorreu o acidente, disse que ouviu buzinas, olhou e acredita que os dois carros estavam a cerca de 150 quilômetros por hora. Foi quando ouviu o uivo de um cachorro e, em seguida, o Corsa subindo em direção à calçada. O tio das meninas Wilson Martins confirmou, ontem, que o cachorro da família também foi atropelado, mas ele não acredita que o animal tivesse saído para a rua, já que ele sempre andava ao lado das meninas.
Até ontem pela manhã a polícia tinha ouvido seis testemunhas. Por enquanto o que sabemos é que eles estavam em alta velocidade, mas não dá para saber se faziam um racha, disse o delegado Irineu Portes, que ouvirá o depoimento de Marcelo Monteiro, assim que ele tiver alta do hospital.
Segundo o Hospital Cajuru, a menina Everli já saiu da UTI e foi encaminhada para a enfermaria. Ela teve politraumatismo, ficou em coma no início em função de um traumatismo craniano, mas seu estado já é regular, ainda sem previsões de alta. Marcelo Monteiro, que teve escoriações no rosto, passa bem e a previsão era de que teria alta ainda ontem, embora esteja bastante abalado emocionalmente. A mãe das meninas, Catarina Aparecida Pinto Martins, 41 anos, teve que ser internada ontem no Hospital de Colombo, depois de ter um colapso nervoso quando chegou em casa e viu a fotografia da filha que morreu. Além de Elisa e Everli, ela e o pedreiro Nivaldo Martins, 46 anos, têm mais uma filha de 18 anos e dois meninos de 12 e 16.





