Os aspirantes a universitários que acreditam que reprovar num vestibular é uma tragédia deveriam conhecer William Parente Oliveira, 39 anos. Atual candidato a uma vaga no curso de direito da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Oliveira já prestou nada menos do que 20 vestibulares a maior parte, para medicina. ''Já tenho até diploma de vestibulando'', brinca.
Diante de uma concorrência que se acirra mais a cada ano, raro é encontrar nos cursinhos estudantes que estejam fazendo sua primeira tentativa. Oliveira é apenas um exemplo mais extremo da persistência dos vestibulandos em entrar no curso sonhado. Há, contudo, uma diferença entre esse candidato e a maioria dos demais: ele já possui uma formação universitária. O diploma de farmácia é de 1994. Já a sua odisséia com os vestibulares começa bem antes, como rememora Oliveira.
''O primeiro vestibular que eu prestei foi em 1984, para medicina. Não fui aprovado e nos anos seguintes continuei tentando, até que resolvi mudar para farmácia e passei, em 87. Fiz dois anos e tranquei a matrícula. Queria tentar medicina outra vez. Mas reprovei de novo no vestibular e voltei para o curso de farmácia, onde me formei'', acrescenta. De lá para cá houve mais algumas tentativas de passar no curso mais concorrido da UEL, até que Oliveira decidiu inovar. Este ano, ele tem certeza de que estará nas salas de aula do curso de direito. ''Para quem 'quase' passou em medicina está fácil'', diz à Folha, no intervalo das aulas de um cursinho de Londrina.
Apesar das frustrações e do cansaço de inúmeras batalhas perdidas, o eterno vestibulando garante que todo o esforço valeu a pena. ''Quando você tem um objetivo precisa correr atrás. A pessoa que desanima depois das primeiras reprovações está fadada ao fracasso'', opina. Depois deste, novos vestibulares estão fora dos planos de Oliveira. Mas adivinhe o que ele pretende fazer depois de se formar em direito? ''Prestar concursos públicos.''
A tranquilidade de quem já ganhou experiência em vestibulares contrasta com a reação de novos candidatos, caso de Aline Martire Martinho, 18 anos. Ela acaba de terminar o ensino médio e quer estudar pedagogia na UEL. Embora já tenha sido aprovada numa faculdade particular, ela está angustiada com a concorrência da universidade estadual. ''São 18 por vaga, estou supernervosa, estudando sem parar.'' Embora seu maior desejo seja conseguir vaga na UEL, ela tenta manter a cabeça fria quanto à possibilidade de não passar. ''Se não conseguir, desisto da UEL, porque já tenho lugar garantido em outra faculdade.''

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