Vivian de Albuquerque
Para um grande número de pessoas a situação seria um empecilho ao desenvolvimento normal da vida, mas para a estudante curitibana Danieli Haloten é até um incentivo. Aos 19 anos, quase cega, com um sério caso de glaucoma congênito (pressão ocular fora do normal), resta apenas um ano para ela se formar em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Paraná e mais dois anos para realizar um dos grandes sonhos de sua vida: ser jornalista.
Aluna do curso de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica, quando tinha dez anos, Danieli foi submetida a uma operação no olho esquerdo e o resultado foi a perda da visão. ‘‘Na época ficamos todos muito traumatizados’’, conta Danieli. ‘‘Tive muita hemorragia e para não acontecer o mesmo problema no outro olho nenhum médico quis operá-lo’’.
As anotações durante as aulas são feitas todas em Braile. Para estudar, ela conta com o apoio da família e dos amigos que a ajudam lendo os textos. Segundo a estudante, na área de jornalismo não tem um livro editado em Braile. ‘‘Mesmo assim serei uma atriz ou uma jornalista. Quero ser lembrada pela minha qualidade profissional e não por ser quase cega e conseguir estudar’’, diz ela.
A futura atriz garante que seria uma mentira negar a existência do preconceito, ou ainda o que ela chama de auto-preconceito. ‘‘Ele faz com que as pessoas não tenham força para seguir em frente’’, explica. ‘‘E isso vai muito da própria base familiar. Aqui em casa eu não sou a filha cega. Sou a Dani, filha que brigou porque queria fazer teatro e jornalismo’’, conclui

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