Estudante foi torturado, aponta IML
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de janeiro de 2002
Maranúbia Barbosa 
O laudo da necrópsia do estudante Luiz Hermínio Izique Victorelli, 19 anos, assassinado no dia 23 de dezembro em um terreno baldio entre os bairros Santa Rita e Santo André (zona oeste de Londrina), apontou indícios de tortura. O documento ainda não foi enviado à Polícia Civil, mas o chefe do Instituto Médico-Legal (IML), Rogério Luiz Eisele, adiantou à Folha que o estudante foi morto com quatro tiros e tinha marcas de queimaduras de cigarro nos braços.
Ainda de acordo com Eisele, o tiro fatal, disparado a curta distância, atingiu a nuca e saiu na região acima de um dos olhos, com características de execução. A polícia tem trabalhado com a tese de latrocínio, por ter encontrado com um receptador dois relógios pertencentes a Victorelli.
Segundo o chefe do IML, dois projéteis atingiram a região do tórax, sendo que um deles transpassou o corpo e saiu pelas costas. Um terceiro tiro foi dado na perna e o quarto disparo na nuca. Na região onde as balas se projetaram, informou Eisele, há uma zona de esfumaçamento, demonstrando que os disparos foram executados de perto. Ele informou ainda que as queimaduras de pontas de cigarro verificadas nos braços são compatíveis com tortura. O exame de dosagem alcoólica deu negativo. Exames toxicológicos, segundo o médico, não foram solicitados pela polícia.
O principal suspeito, Nilton Cesar Marcelino Vieira, o Juruna, preso na semana passada pela Polícia Civil, foi novamente interrogado e continua alegando que não participou diretamente do crime. Juruna afirmou ao delegado do 3º distrito policial, João Aquino de Almeida, que a última pessoa que esteve com a vítima foi Tiaguinho Tibuti, que moraria no Jardim Leonor, também na zona oeste. O crime, segundo Juruna, pode ter sido motivado por vingança. No início de maio, o irmão gêmeo da vítima, José Hermínio Victorelli, foi preso pela Polícia Militar (PM) na Avenida Brasília (zona oeste), com 25 papelotes de crack e um frasco de lança-perfume. Na época, ele teria delatado os pontos de venda de drogas do Jardim Nossa Senhora da Paz.
Em seu novo depoimento, Juruna declarou que a vítima chegou ao Jardim Nossa Senhora da Paz por volta das 21 horas do dia 22, perguntando quem teria droga para vender. Tiaguinho se prontificou a arrumar, mas teria voltado armado e obrigado a vítima a entrar na caminhonete do estudante. Juruna afirmou que enquanto dirigia a caminhonete, ouviu Tiaguinho dizer a Victorelli que ele iria pagar pela alcaguetagem do irmão. Ele contou que depois que desceu do veículo não sabe o que aconteceu entre Tiaguinho e Victorelli.


