Estudante foi morto por 'engano'
James Alberti
De Curitiba
O estudante e torcedor do Coritiba Alessandro de Lima Gonçalves, 16 anos, foi assassinado por engano no sábado, quando voltava para casa depois de assistir a partida da final do campeonato paranaense. O homicídio aconteceu por volta de 21h15, na Rua Raul Pompéia, bairro Itatiaia, em Curitiba. Cerca de dez jovens atacaram um ônibus e jogaram um bomba caseira dentro dele. Houve pânico e corre-corre. Passageiros e o motorista correram para se alojar no módulo policial do bairro. O estudante estava dentro do ônibus e levou um tiro no peito depois de sair do veículo. Ele chegou a ser levado ao Hospital do Trabalhador, bairro Portão, mas morreu às 4 horas de domingo. Alessandro foi enterrado ontem ao meio-dia no Cemitério do bairro Campo Comprido.
A princípio, a polícia acreditava que havia ocorrido um confronto entre gangues rivais: a do Comando Itatiaia e do Comando Terrorista Caiuá, da Vila Caiuá, que são antigas rivais. A Folha apurou ontem, no entanto, que o ataque ao ônibus foi executado por moradores do bairro Itatiaia, o mesmo da vítima. O crime teria ocorrido, então, porque o Comando Itatiaia teria pensado que no ônibus estavam integrantes do grupo inimigo.
A estudante Priscila Vieira, 14 anos, amiga de Alessandro, afirma que as encrencas entre os grupos são antigas e frequentes, mas que não foi o grupo inimigo ao Comando Itatiaia que matou Alessandro. Foram os garotos daqui, disse. Ele acredita que o homicídio tenha sido consequência de vandalismo. Foi puro vandalismo mesmo, afirmou. Para Adriana de Lima Gonçalves, irmã da vítima, pouco importam as razões. Ela quer que os responsáveis sejam presos e paguem pelo crime, mesmo que tenha havido um engano. Se fosse do Caiuá, eles tinham direito de atirar?.
O delegado adjunto Acir Pereira da Silva, da Delegacia de Homicídios, que investiga o crime, disse ter indícios da pessoa que fez o disparo. Segundo ele, testemunhas teriam ajudado a polícia a identificar o suspeito. Silva afirmou que ainda está verificando de que bairro são os responsáveis pelo ataque ao ônibus.
Segundo Adriana, Alessandro não participava do Comando Itatiaia nem gostava de ir ao campo de futebol. As duas partidas das finais teriam sido as únicas que viu num estádio.





