Estudante escolhe profissão de olho na demanda do mercado de trabalho
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quinta-feira, 14 de agosto de 1997
Curitiba 
Marcelo AlmeidaMarilu (à esq.): Juventude está preocupada em ter, não em fazerO jovem da sociedade atual faz vestibular de olho no mercado de trabalho em detrimento da vocação e pode se frustrar muito. A advertência é da psicóloga paulista Marilu Diez Lisboa, fundadora da Associação Brasileira de Orientação Profissional (Abop). A juventude está muito preocupada em ter para si em vez de pensar em ser e fazer parte de um coletivo, acredita ela, que veio a Curitiba ontem para o lançamento do Guia do Estudante do Paraná.
Essa conclusão de Marilu está na sua tese de mestrado em Psicologia Social, defendida na Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). A orientação vocacional/ocupacional e o compromisso com o eixo social foi o tema da dissertação. Atualmente o orientador apenas auxilia o jovem que tem acesso a uma escolha cuidadosa a ser um profissional de nível superior, afirma a psicóloga. Isso é pouco, acrescenta.
Segundo Marilu, esse trabalho está restrito à juventude de maior poder econômico, cujos pais podem pagar uma escola particular que ofereça o serviço de orientação vocacional. É preciso entrar na rede pública, até para ajudar quem dificilmente vai ter condição de cursar uma faculdade, defende a atual conselheira da Abop. Esses jovens podem ser encaminhados, no mínimo, para se tornarem profissionais liberais de nível médio, completa.
A psicóloga avisa que muitos países investem na orientação vocacional/profissional para conciliar qualidade de vida e desenvolvimento. O México, por exemplo, cita Marilu. Ela anuncia que a associação vai realizar ações concretas para que o serviço tenha apoio do governo. A mobilização nesse sentido deve ser uma das resoluções do 3º Simpósio da Abop, no início de outubro, em Canoas (RS), comunica a conselheira da entidade.
Marilu exalta iniciativas como a do Guia do Estudante do Paraná, elaborado pela psicóloga Selena Greca. O trabalho ajuda muito porque jovens e pais estão perdidos ou atrapalhados em relação à escolha profissional, justifica.


