Estudante é pisoteada e vai parar na UTI
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de março de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Cuidadoso, o mecânico Adir Severino Ribeiro, 44 anos, sempre mandava um dos filhos mais velhos buscar os menores na volta da escola. O que ele não imaginava é que os problemas pudessem ocorrer dentro da instituição. A filha dele, Adieli, 11 anos, foi empurrada e pisoteada pelos outros alunos anteontem na saída de uma apresentação de dança na escola Professor Olympia Moraes Tormenta, na Zona Norte. Desacordada e com crises convulsivas, a menina foi internada em estado grave com traumatismo craniano na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário.
Ontem, Adieli foi transferida para o Hospital Infantil e já está fora de perigo mas não tem previsão de alta. Segundo o pai da menina, ela está com o corpo coberto de hematomas e corre risco de sofrer sequelas.
A confusão começou por volta das 17h30. Os alunos acompanharam uma apresentação de dança na quadra de esportes e, sem seguida, seriam liberados. Segundo testemunhas, o empurra-empurra começou no portão, fechado depois que Adieli caiu na tentativa de conter o tumulto. Outras crianças também caíram mas não chegaram a se ferir com gravidade.
O mecânico mora a oito quadras da escola e foi avisado do acidente por outros estudantes que retornavam para casa. Ribeiro chegou à escola um pouco antes do Siate e acompanhou o atendimento. A menina teve uma parada cardiorrespiratória antes de chegar ao hospital e foi reanimada durante o caminho. ''Nunca tinha visto uma coisa dessas, foi terrível'', disse Ribeiro.
O pai da menina questiona a responsabilidade da direção da escola. ''Não quero culpar ninguém até porque não foram eles que fizeram isso com minha filha mas deixaram isso acontecer'', afirma. Ele também reclamou do atendimento prestado.
''Primeiro, as vizinhas é que me avisaram que minha filha estava quase morrendo na escola e ninguém estava fazendo nada. Depois, quando cheguei lá vieram me dizer que estava tudo bem com a menina tendo convulsões'', reclama o pai.
O diretor da escola, Antônio Marcos Rodrigues Gonçalves, afirma que o atendimento foi imediato. ''Chamamos o Siate imediatamente, até me foi relatado que o número de emergência só dava ocupado'', disse. A escola também afirmou que ligou para o número de telefone do cadastro da aluna mas ninguém teria atendido.
Sobre o acidente, ele afirmou que a escola está tomando medidas preventivas. ''Não faremos mais eventos com todos os alunos juntos e hoje (ontem) passamos nas salas para conversar sobre o incidente até para eles melhorarem a postura, aquilo que alguns acham que é uma brincadeira inconsequente pode trazer resultados sérios'', afirmou. Na hora do acidente, cerca de 900 alunos estavam na quadra.
O Núcleo Regional de Educação (NRE) deve investigar o caso. Segundo a assistente do NRE, Marlene Mello, o caso foi registrado pela escola na ouvidoria. ''Eles relataram como um acidente simples mas devido à gravidade temos que levantar exatamente em que circunstâncias isso ocorreu'', afirma. Além da direção, o NRE deve ouvir também os alunos que testemunharam o fato.


