de Curitiba

Albari RosaNo velório de Rafael Zanella, parentes e amigos estavam revoltados com a ação da polícia civil e pediam justiçaO estudante universitário Rafael Zanella, de 20 anos, foi morto pela polícia com um tiro na cabeça quarta-feira à noite no bairro de Santa Felicidade, durante uma operação anti-tráfico. ‘‘Apesar da apreensão de meio quilo de maconha, a ação teve um resultado trágico’’, admite o delegado da Divisão de Polícia da Capital, Silvan Pereira. Ele determinou o afastamento dos agentes Reinaldo Siduaski e Airton Adonski, do 12º Distrito Policial de Curitiba, que estavam à frente da operação.
O corpo de Zanella, que estudava Biologia na Faculdade Espírita de Curitiba, foi sepultado ontem às 17 horas, no Cemitério Parque Iguaçu. Parentes e amigos dele estavam indignados com sua morte e exigiam justiça. Ninguém quis se identificar ou comentar se o rapaz era usuário de drogas. Parte da maconha apreendida foi encontrada numa embalagem plástica, junto à genitália do estudante, morto com um tiro na cabeça.
‘‘Vamos esperar o laudo do Instituto de Criminalística para saber se o disparo fatal realmente partiu de nossos policiais’’, diz o delegado Francisco Costa, titular do 12º DP. Um revólver calibre 32 com dois cartuchos intactos e uma cápsula deflagrada foram encontrados no interior do Escort que Zanella dirigia. No carro também estavam Wilson Gevaerd Júnior, o Camarão, Marcos Valduga e Odair Ferreira da Silva, todos presos por tráfico de drogas. Nenhum deles tinha antecedentes criminais.
A Polícia investigava Camarão já há algum tempo. Na quarta-feira, os agentes teriam confirmado que ele estava vendendo maconha em Santa Felicidade. Duas policiais civis teriam adquirido maconha dele por R$ 20,00, confirmando o tráfico. O suposto traficante vinha no Escort. Outro grupo o acompanhava em um Gol. Os policiais abordaram os carros na Rua João Reffo, perto do Farol do Saber. Segundo os policiais, houve troca de tiros e Zanella morreu, com uma bala na cabeça. Os ocupantes do Escort não puderam escapar. O motorista do Gol conseguiu furar o cerco da polícia.
O procurador-geral de Justiça do Paraná, Olympio de Sá Sotto Maior, vai designar um promotor para acompanhar o caso. A determinação atende a pedido do secretário estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira. Ele está preocupado com a série de episódios desgastantes para a imagem da Polícia Civil. Hoje a polícia vai ouvir pessoas que moram na rua onde o estudante foi morto.

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