O estudante Luciano Dias da Silva, 15 anos, foi morto na noite de anteontem com um tiro na nuca disparado pelo colega de escola E.M., de 16 anos. O crime ocorreu às 21h15, na Escola Estadual Elias Abraão, no conjunto Maria Cecília, zona norte de Londrina. Luciano morreu na hora. O disparo aconteceu dentro da sala, durante a aula de Geografia. Aproximadamente 20 estudantes estavam no local no momento do incidente. A arma do crime é um revólver calibre 22, de fabricação argentina.
ReproduçãoSegundo o delegado Jurandir Gonçalves André, do 3º Distrito Policial e responsável pelo inquérito policial, os alunos ouvidos após o crime disseram que a arma pertence a E.M., autor do disparo. O menor teria levado o revólver para escola e estava mostrando para Luciano, escondido da professora, durante a aula. ‘‘O garoto (E.M.), agora, só não admite que a arma pertence mesmo a ele. Diz que pertencia à vítima’’, disse o delegado. ‘‘Mas, por enquanto, estamos trabalhando com a hipótese de que a arma era mesmo do menor.’’
E.M. foi encaminhado ao Serviço de Triagem, Recepção e Encaminhamento de Menores (Setrem) pela manhã e, à tarde, encaminhado à promotora da Vara da Infância e Juventude, Edina Maria Silva de Paula. A promotora liberou o menor e justificou: ‘‘Foi em virtude da situação psicológica do menor’’. Ela contou que em depoimento, E.M. disse que ‘‘preferia ficar preso eternamente a ter tirado a vida do amigo’’.
A promotora afirmou que E.M. vai receber as punições previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, podendo receber a pena de prestação de serviços à comunidade e advertência. Paralelo a esta ação, disse a promotora, será feito um procedimento para apurar a propriedade da arma. Edina não recebeu ainda o laudo do Instituto Médico de Londrina e nem a perícia da arma apreendida. Conforme a promotora há a versão de que o revólver estaria passando de mão em mão durante a aula.
Os pais de E.M. não quiseram falar à imprensa sobre o incidente. O advogado da família, João Sabec, confirmou apenas que E.M. garantiu que a arma não era dele, e sim da vítima. ‘‘Na casa do menino nunca houve arma’’, destacou.
O delegado Jurandir André diz que pretende definir com exatidão a origem da arma, quem era o proprietário e como ela foi parar nas mãos do garoto. O dono do revólver, destaca o delegado, também poderá ser responsabilizado pelo incidente e responder a inquérito policial. Segundo a nova lei sobre porte de armas (lei 9.437/97), facilitar o acesso de armas a menores ou guardá-las sem o devido cuidado é crime com penas de dois a três anos de detenção.
No velório de Luciano Silva, no Cemitério Jardim da Saudade (zona norte), o clima era de revolta. A mãe do rapaz, Maria Dias Furtado, 53 anos, conta que a família veio de São Paulo em 1993, para fugir da violência da metrópole paulista. ‘‘Em São Paulo nós andávamos no meio de bandidos. Londrina sempre foi uma cidade pacata e agora acontece uma coisa dessas’’, lamenta a mãe.
O irmão de Luciano, Carlos Antonio da Silva, 25 anos, conta que o irmão tinha projeto de arrumar um emprego este ano e continuar estudando. Ele não acredita na hipótese dele ter uma arma e tê-la levado para a escola. ‘‘Em casa a gente nunca teve arma’’, disse Maria Furtado.

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