Estudante é eletrocutado em escola
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sábado, 13 de agosto de 2005
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
O sonho do estudante Victor Hugo Ferreira Silvestre, 15 anos, de um dia se tornar arquiteto foi interrompido tragicamente no início da noite de sexta-feira. Ele morreu ao debruçar-se sobre uma cerca de arame farpado - eletrificada irregularmente - que foi instalada há algumas semanas no muro que divide o Colégio Bento Munhoz da Rocha Neto e o Centro de Saúde Municipal do distrito de Lerroville (Sul de Londrina). O pequeno vilarejo de cerca de cinco mil habitantes parou ontem para acompanhar o velório. Familiares e colegas pediram justiça.
Um adolescente que presenciou o fato disse que ele e Victor Hugo tinham pulado o muro que dá acesso ao posto de saúde para chamar um colega que estuda a noite. Segundo o menino, para chamar a atenção do amigo que estava em sala de aula, apenas Victor Hugo se aproximou da cerca. ''Ele jogou uma pedra e acho que se desequilibrou e encostou na cerca. Eu pensei que ele estivesse brincando, chamei mas ele não respondia. Aí, quando fui tirar ele da cerca também levei um choque mas consegui colocá-lo no chão e fui pedir ajuda'', contou o adolescente. Os socorristas do Siate, segundo ele, chegaram ao local quase uma hora depois do chamado, tentaram reanimar o estudante com massagens cardíacas mas não conseguiram.
Victor Hugo cursava a oitava série e era bastante conhecido e querido por todos na cidade. ''Era um menino estudioso, que gostava de pintura e sempre me dizia que queria ser arquiteto'', recordou a mãe, Irene Alves Ferreira Silvestre, 43 anos. Ele também pensava em ir para Espanha, onde seu melhor amigo mora atualmente. Em casa, a mãe mostrou fotos, desenhos e uma carta escrita pelo filho na tarde de sexta-feira onde ele se revela um adolescente romântico. Na folha de papel, que seria entregue a uma menina, Victor Hugo diz que pretendia falar tudo pessoalmente mas aquelas palavras eram uma forma dela saber dos seus sentimentos. ''Meu filho era um menino muito amado e não vou deixar sua morte ser esquecida porque tenho certeza que ele não gostaria que eu deixasse isso acontecer. Quero justiça porque quem fez isso é um criminoso'', afirmou a mãe.
A auxiliar de enfermagem do Posto de Saúde, Iraci Norato, 50 anos, disse que o arame farpado foi colocado há pouco mais de 15 dias e que acredita que a eletrificação improvisada pode ter sido feita ainda na sexta-feira. ''Poderia ter matado mais gente porque eu mesma já coloquei a mão até molhada na cerca essa semana'', afirmou. Amiga da família de Victor Hugo, ela disse que conheceu o garoto ainda na barriga da mãe. Segundo ela, os casos de vandalismo são constantes mas que Victor Hugo era um menino bom. ''Com certeza, esse fato de ontem foi pura inocência de adolescente porque ele não era nenhum marginal'', garantiu.
O muro onde Victo Hugo subiu tem cerca de um metro e meio de altura. O fio de eletricidade ligado à cerca foi puxado de um relógio que fica no pátio do colégio, cujo prédio pertence ao Município. O perito do Instituto de Criminalística, José Carlos Miranda, esteve no local e relatou que a situação seria irregular. Também não há nenhuma placa avisando sobre o perigo de descarga elétrica. Em conversa com pais e outros estudantes do colégio, todos afirmaram não ter sido consultados sobre a instalação da cerca nem de sua possível eletrificação.


