Estudante diz que vê Santa Luzia
A estudante Zenilda Amâncio Pereira, 14 anos, garante estar vendo, diariamente, desde novembro, a imagem de Santa Luzia num terreno baldio do Jardim das Flores, bairro da zona sul, de Foz do Iguaçu. O local - no fim da Rua Jasmim - está se transformando ponto de orações e atraindo devotos de várias regiões da cidade.
Ela aparece com uma túnica branca, tem longos cabelos negros, olhos em tom marrom e uma pele muito clara, diz Zenilda. Ela afirma ter visto a santa pela primeira vez numa manhã de sol, há três meses. Eu me assustei com a imagem e corri apavorada, contou. Agora, ela me tranquiliza, me orienta.
Segundo, Zenilda, a santa a toca e, às vezes, toma conta de seu corpo. Ele me pediu para construir uma gruta com uma imagem, revelou. O dono do terreno já concordou e gostaria de ajuda para que ela fique pronta logo.
Cerca de 30 pessoas se reúnem todos os dias, pontualmente às 16h30, numa área às margens de um alagado, em busca de graças e cura de doenças. Juntas, repetem as palavras da jovem que diz receber mensagens que são manuscritas e distribuídas.
Já sinto melhoras, há dias não tenho mais ataques, diz Romilda Campos da Silva, 36 anos, que sofre de epilepsia. Diariamente, Romilda anda quase um quilômetro para rezar um terço e benzer um copo com água. Em casa, quando começa a passar mal, toma a água em substituição ao remédio.
Outra devota, Selmira Dutra de Campos, 35 anos, visita o local há 15 dias. Paralisada em uma cadeira de rodas, decorrência de uma doença degenerativa incurável, Selmira acredita em Zenilda, embora ainda não tenha visto a imagem. Tenho fé que Santa Luzia me fará voltar andar novamente, diz.
Quando me pedem, vou até a casa do doente e junto com Santa Luzia, pedimos a cura, relata a jovem, que já fez cerca de 10 visitas particulares. Santa Luzia já curou três casos na minha familia, agora, tenho que retribuir, diz.
Convidada pelo padre Aldo Daltozzo, 47 anos, responsável pela paróquia Divino Espírito Santo (que atende à chamada região do Porto Meira), convidou a adolescente para organizar o coral de crianças da igreja. Ela é uma menina muito delicada e esforçada, diz o padre.
Padre Aldo disse à Folha que não pretende se envolver no caso. A não ser que eu observe que a menina, a santa ou os fiéis estejam sendo explorados, condicionou. Só posso dizer que é uma questão particular, não posso dar minha opinião. É uma experiência religiosa, nada mais, disse.Sílvio VeraFéO local onde a imagem de Santa Luzia estaria aparecendo já virou ponto de oração e busca de curaLúcio Flávio Moura
Especial para a Folha





