Estudante diz que foi agredido por policiais da Rone
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segunda-feira, 07 de maio de 2001
De Curitiba 
Com os lábios visivelmente feridos e bastante abatido, o estudante Rafael Ferreira, 18 anos, foi ontem ao Quartel Geral da Polícia Militar para denunciar uma suposta agressão sofrida na noite de domingo. Ele contou que foi abordado por volta das 22 horas por quatro policiais militares da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone) quando andava de bicicleta para a casa da namorada, no bairro Boqueirão, periferia de Curitiba. Ele disse que tinha uma caixa de bombons na jaqueta, o que teria despertado uma suspeita dos militares.
De acordo com a denúncia, registrada formalmente no 7º Distrito Policial de Curitiba, ele foi abordado com agressões contínuas. Eles começaram a agredir meu tornozelo e rins. Bateram várias vezes. Disseram que não era para eu me coçar nem olhar para trás, declarou. Apesar de nervoso, ele conseguiu anotar o número da viatura da Rone (4532), mas não conseguiu ver os nomes dos policiais militares.
Ele alegou ainda que foi furtado em R$ 10,00. Outro militar veio e me perguntou se eu estava machucado. Quando tentei responder, ele me deu um soco nos lábios, disse. Rafael declarou que em nenhum momento pediram a identidade dele. Após as agressões e uma revista detalhada, ele foi liberado pelos policiais.
O laudo médico do Instituto Médico Legal (IML) demonstrou que o estudante foi agredido com material contundente (cacetete, faca, arma). Rafael Ferreira foi ouvido no quartel.
O major Ademar Moletta, comandante da Companhia de Choque, disse que já solicitou a abertura de inquérito para apurar o caso. As investigações deverão durar cerca de 45 dias. Moletta afirmou que todos os militares são orientados a pedir documentação e se identificar. (L.P.)


