O estudante Rubens (nome fictício), 20 anos, de Londrina, conta que, no ano passado, utilizou um hormônio sintético para ganhar massa muscular. ''Faço musculação há cinco anos. Comecei a usar (o anabolizante) para ganhar quanta massa eu pudesse'', diz ele. Rubens consumiu 12 ampolas da substância em dois meses e meio. ''É uma quantidade pequena. Tem amigos meus que tomam uma ampola por dia'', afirma o estudante.
No período em que Rubens usou o anabolizante, seu peso aumentou oito quilos. O estudante afirma que preferiu parar porque vários amigos seus que utilizaram hormônios sintéticos para aumentar a massa muscular começaram a ter problemas de saúde. ''Um deles passou a ter dores nos rins e não conseguia mais correr três semanas após começar a usar o anabolizante. Um outro teve que ser internado'', explica.
Rubens defende que é extremamente fácil adquirir anabolizantes em Londrina. Segundo ele, em farmácias, mesmo sem receita, é possível comprar substâncias controladas (''é só chegar com um pouco de jeito''). Na internet, sites de leilão oferecem produtos do tipo e páginas sobre musculação disponibilizam contatos de pessoas que vendem hormônios sintéticos. ''Não me arrependo de ter usado, mas não utilizaria de novo. Tenho medo de complicações'', diz o estudante.
Profissionais que trabalham em academias de musculação em Londrina alegam que é uma minoria que recorre ao uso de anabolizantes para ganhar massa muscular e/ou reduzir gorduras. Giuliano Christian Pereira, instrutor-geral de uma academia na Área Central, explica que as pessoas que recorrem a substâncias de uso controlado para ''esculpir'' o corpo são jovens a partir de 15 anos, que não têm paciência para esperar resultados.
''Quando vai chegando o verão, que é a época de exibir o corpo, o pessoal abusa mais dos anabolizantes. Tentamos conscientizar, mas tem gente que apela mesmo'', aponta Pereira. ''Conseguir uma receita para comprar alguma coisa em farmácia é fácil. O sujeito obtém com algum conhecido que trabalha em hospital'', explica. O também instrutor Leandro Constantino diz que entre os que usam o produto há muitos que possuem situação financeira confortável. ''Algumas substâncias são importadas, caras e difíceis de achar'', justifica.(F.G.)

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