Estudante disputa vaga em competição mundial
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terça-feira, 31 de julho de 2018
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 

São oito horas de treinamento diário para chegar o mais perto possível da perfeição. Aliás, perfeccionismo é quase uma palavra de ordem para Isabele de Lara, 17. Com um olhar detalhista e compenetrado, a jovem está perto de representar o Brasil em uma competição mundial em Kazan, na Rússia, em 2019.
Lara é de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) e conquistou a medalha de ouro nas seletivas estadual e nacional do WorldSkills Competition, na modalidade Tecnologia da Moda. Realizada a cada dois anos, a competição de educação profissional da indústria e do setor de serviços, envolve alunos de mais de 60 países, em diversas áreas.
Lara concorrerá à vaga em Brasília (DF) no mês de dezembro, com uma candidata de São Paulo, que ficou com o segundo lugar na modalidade. A vencedora ficará um ano na capital federal sendo treinada para a etapa mundial.
"Quando entrei nessa competição, entrei para ganhar e essa continua sendo minha intenção nas próximas etapas. Gosto de competir, de desafios", conta Lara, que teve o primeiro contato com linhas e agulhas na infância. E o desejo de aprender um pouco do ofício da mãe Sueli foi o ponto de partida para que ela se inscrevesse no curso de modelagem do Senai Londrina.

Durante as aulas, Lara decidiu se inscrever na competição e desde então, há cerca de um ano, não parou mais de cortar, alinhavar, medir e bordar tecidos. Para tantas horas de dedicação, a aluna recebe uma bolsa-auxílio e é acompanhada o tempo todo por duas professoras.
Andrea Meneghetti Zatta, que a treina em modelagem e moulage, lembra que Lara disputou a etapa nacional em Blumenau (SC) com representantes de outros 13 estados. "É uma competição de alto nível de exigência e competitividade. Durante uma semana, os participantes fazem provas em cinco módulos. A Lara conquistou essa medalha porque é estudiosa, lê bastante, tem senso crítico e vem sendo preparada para tomadas de decisão e não apenas para reproduzir peças", comenta.
No primeiro dia da seletiva, os alunos tiveram que criar uma peça idêntica ao modelo apresentado, em uma hora e meia de prova. No segundo dia, foi a vez de mostrar o talento para desenho técnico. Cada participante criou uma mini coleção para um público-alvo.
Em seguida, eles tiveram que criar e desenvolver uma peça de macacão, também em um tempo curto. "Ninguém sabia qual tipo de peça seria. É por isso que nesse momento é muito importante estar concentrada e calma. O tempo é curto e tem muito o que fazer", conta a jovem.
Por último, os competidores tiveram que customizar a produção, sempre com elementos surpresas. Foi pensando nessas intervenções que a professora de desenho e customização, Dilcinéia Bernardes Faggion, treinou diferentes técnicas e materiais com a aluna.
Além do conhecimento técnico, Lara recebeu acompanhamento psicológico, nutricional e físico para a competição. Para ela, a medalha de ouro foi um reconhecimento do seu esforço. "Priorizei fazer uma peça perfeita, que ganhasse em qualidade e não pelo design. O diferencial do meu macacão é porque ele é 100% forrado, ou seja, montei duas peças e isso dá muito trabalho", diz.
Lara conta que treinou um pouco de cada técnica para ter mais segurança nas provas. Modesta, reconhece o talento para trabalhar com moda, mas revela que ainda não se decidiu sobre o futuro. Ela terminou o ensino médio e ainda não se inscreveu em nenhum vestibular, pois nesse momento só tem olhos para a Rússia.


