Renata Sandoval Sejas, de Campo Mourão, é uma das mais de 15,7 mil pessoas que desde ontem fazem as provas do Vestibular 98 da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Ela quer ser médica, assim como seu pai. Se obtiver notas suficientes para aprovação, e se estas notas forem excelentes, Renata contribuirá para aumentar a polêmica discussão sobre métodos de acesso à universidade. Ela tem apenas 14 anos e só no próximo ano iniciará o 2º grau.
‘‘É uma situação complicada, para a qual não temos resposta’’, reconheceu o professor Tarcísio Vanderlinde, presidente da Comissão Permanente de Concurso Vestibular (CPCV) da Unioeste. Vanderlinde classificou Renata Sandoval Sejas como ‘‘treineira’’ - pessoa que faz vestibular para adquirir experiência e no futuro tentar uma vaga na universidade. A adolescente afirmou que participará de vestibulares todos os anos ‘‘até chegar a hora’’, mas acha que casos como o seu deveriam ser avaliados na hipótese de sucesso nas provas.
Teoricamente, a Unioeste pode fazer esta avaliação, porque a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) estabelece bases para que as universidades flexibilizem políticas de acesso ao 3º grau. Algumas universidades, como em São Paulo e no Rio Grande do Sul, já fazem esta flexibilização experimentalmente, considerando por exemplo o desempenho do aluno ao longo do 2º grau, ou os resultados do Exame Nacional de Ensino Médio, instituído este ano pelo Ministério da Educação.
Para Tarcísio Vanderlinde o vestibular criado ‘‘há quase um século’’ e na forma como foi concebido, ‘‘é hoje uma instituição anacrônica’’. Segundo ele, a concentração da carga emocional sobre o vestibulando, tendo toda sua vida escolar avaliada em apenas alguns dias de provas, ‘‘submete os jovens a um estresse desumano e talvez desnecessário’’. No entanto, o presidente da CPCV salienta que as vagas no ensino superior contemplam apenas 12% da população com idade entre 18 e 24 anos, ‘‘e não há como driblar esta questão’’.
Segundo Vanderlinde, enquanto não for aumentada consideravelmente a oferta de vagas, ‘‘infelizmente terá que haver critérios de seleção dos candidatos e os métodos alternativos terão que ser discutidos com muita prudência, no decorrer de uma longa fase de transição’’. O presidente da CPCV relata que este debate já está estabelecido na Unioeste, ‘‘mas de forma cautelosa, para não haver precipitações’’. De outra forma, disse, há o risco de substituir o vestibular ‘‘por algo ainda pior que ele’’.
Provas Os vestibulandos fizeram ontem as provas de língua portuguesa, literatura brasileira e redação. Hoje serão realizadas as provas de biologia, geografia e língua estrangeira moderna. Amanhã, de matemática, física e química. Não houve incidentes, no primeiro dia. A vigilância contra a possibilidade de fraudes foi ostensiva.

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