Lúcio Horta
De Londrina
O estudante Diego Bueno, de 13 anos, que morreu atropelado na noite do último domingo na Avenida Brasília (BR-369), em Londrina, será homenageado pelos moradores da Vila Yara (zona leste da cidade), onde ele morava com a família. Anteontem, os moradores decidiram criar um comitê de direitos humanos chamado ‘‘Diego Yomã Bueno’’.
O veículo que o estudante estaria disputando um ‘‘racha’’ na rodovia e fugiu sem prestar socorro. Logo após o acidente e também no dia seguinte, os moradores do bairro protestaram contra a falta de segurança do local e foram reprimidos com violência pela Polícia Militar.
A criação da nova entidade foi discutida em reunião realizada dos moradores do bairro com representantes do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina, comissão de justiça da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Comunitário de Segurança. Uma outra reunião, que será realizada amanhã, às 20 horas, na casa da família de Diego, vai formalizar a criação do comitê.
Segundo o advogado Jorge Custódio, do CDH, a nova entidade terá como meta principal cobrar das entidades públicas a construção de duas passarelas na Avenida Brasília: uma próxima ao local do acidente, na esquina da Rua Suindará, onde as crianças costumam passar para ir à escola; e outra em frente ao Grêmio Recreativo Londrinense, que também apresenta riscos à população. O comitê também vai pedir para que sejam instaladas ‘‘grades’’ ao lado da pista, num sistema parecido ao da Via Dutra, em São Paulo, para evitar que as pessoas deixem de utilizar a passarela e atravessem a rodovia pelo asfalto.
A entidade também irá acompanhar e cobrar das autoridades policiais o máximo esforço para que os participantes do suposto racha, sobretudo o motorista que atropelou Diego, sejam identificados e punidos conforme a lei. Custódio acrescentou que a criação de núcleos de direitos humanos em bairros da cidade é uma proposta defendida pelo CDH de Londrina. ‘‘Depois os moradores vão poder dar continuidade em relação aos problemas da própria comunidade, inclusive para formação de uma nova associação de bairro. Ali, a informação é que a carência é grande’’, contou.
Custódio disse que também ficou decidido na reunião de anteontem que as três entidades participantes – CDH, OAB e Conselho de Segurança – vão convocar o comandante da Polícia Militar de Londrina, tenente-coronel Sílvio José Mazalotti de Araújo, para cobrar explicações sobre a ação violenta do Pelotão de Choque para desocupar a Avenida Brasília durante a manifestação. O comandante está em Curitiba e deve retornar hoje a Londrina. ‘‘Pelo relato dos moradores e pela discussão que tivemos, chegamos a conclusão que a PM não está preparada para enfrentar uma situação como essa’’, criticou.
O advogado informou também que os moradores vítimas da violência – entre elas as 18 pessoas presas na operação – irão entrar com uma ação indenizatória contra o Estado por danos morais. Para isso, as entidades colocaram seus advogados à disposição da comunidade da Vila Yara. Fitas de vídeo de emissoras de tevê da cidade, que registraram a ação policial, poderão servir de base na ação.

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