Simone GirottoAcervo
fúnebreSílvio César Walter no túmulo de sua família, em Campo Mourão: coleção conta com mais de 800 santinhos e recebe contribuições de várias cidades do EstadoO estudante Sílvio César Walter, 23, se dedica há seis anos a uma coleção ‘‘diferente’’ e fúnebre. Ele coleciona santinhos de missa de sétimo dia. A coleção começou por acaso, juntando os santinhos da família, mas hoje o acervo conta com mais de 800 santinhos. O mais antigo deles é de 1934 e, diferente dos demais, foi distribuído na época com o objetivo de convidar as pessoas para o enterro. O mais novo é da semana passada.
‘‘A vantagem da coleção é que não param de sair novos santinhos’’, diz o estudante. No auge da coleção, ele chegava a percorrer gráficas da cidade atrás de santinhos novos. Hoje, o trabalho e a faculdade diminuíram o ritmo. Mesmo assim, as doações não param. ‘‘As pessoas sabem que faço a coleção e me mandam os santinhos’’, conta. A maioria das doações vem de parentes e amigos dos mortos. ‘‘Tem gente que gosta de saber que seu parente está na coleção’’.
Há, no entanto, quem ache a coleção um desrespeito. ‘‘Muito pelo contrário, o objetivo é preservar a memória de quem já morreu’’, responde o estudante. Os santinhos são colocados em álbuns, mas já há planos de colocá-los também em CD rooms. E ninguém escapa da coleção. ‘‘Muita gente que já me deu santinhos hoje faz parte da coleção’’, ressalta. A coleção também já mereceu veiculação na televisão em rede nacional.
Em 1994, uma reportagem publicada pela Folha fez com que Walter recebesse doações de santinhos de várias cidades do Estado. Também não faltaram críticas. ‘‘Teve gente que não entendeu e pensou que eu é que mandava fazer os santinhos’’, conta. Outros acharam que o estudante fotografava velórios. Walter, no entanto, só tem uma reclamação: não tem com quem trocar as ‘‘figurinhas’’ repetidas. (Sid Sauer)

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