Um aluno do 3º ano do curso de Educação Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL) iniciou um trabalho inédito para despertar o interesse e o gosto pelo esporte entre deficientes visuais. Frederico Toti da Silva, 33 anos, quer mostrar que, além de poder participar da torcida, o deficiente visual tem condições de competir em diversas modalidades.
Para alcançar esse objetivo, Silva e a estudante de arquitetura Ana Lúcia Odebrecht Massaro criaram cinco maquetes esportivas que foram expostas ontem no Instituto Londrinense de Trabalho e Instrução para Cegos. São réplicas de quadra de basquete, vôlei, futebol de salão, golbol e campo de futebol suíço, todas confeccionadas com materiais que facilitam ao deficiente imaginar a estrutura desses espaços.
Além da textura, os deficientes parciais também foram auxiliados pelo uso de cores fortes como o vermelho, verde, preto e amarelo. ‘‘Estou disposto a levá-los a quadras oficiais para terem uma noção espacial mais precisa. A sociedade precisa saber que a falta de visão não é um empecilho para a prática desportiva e que no Brasil existem excelentes atletas nesse grupo’’, explicou Silva, que há quatro anos perdeu totalmente a visão com o descolamento da retina provocado pelo diabetes.
A mostra faz parte da Semana Nacional do Portador de Necessidades Especiais, que vai até a próxima segunda-feira. Durante a exposição Silva fez uma pesquisa entre os alunos do Instituto para saber se a idéia das maquetes coloridas e texturizadas funcionou e se algum deles se interessou pelo esporte. De acordo com Silva, a força de vontade é o principal elemento para a participação do deficiente visual nessas atividades não só como atleta, mas até como espectador. ‘‘A família e os amigos têm um papel fundamental nesse trabalho. O que ainda atrapalha é o preconceito e a falta de informação.’’
Silva cursava o segundo ano da faculdade quando deixou de enxergar. Para ele, a volta às aulas após retomar a independência foi sua primeira grande vitória que será coroada pela formatura. No futuro, Silva pretende cursar uma pós-graduação em educação especial e dar aulas inclusive para jovens com a visão perfeita. A conquista desse objetivo, segundo ele, depende basicamente da segurança na sua competência como profissional. ‘‘Será um caminho difícil onde encontrarei muitas barreiras. Porém, é a única maneira de transmitir confiança suficiente aos alunos. Assim como qualquer outro deficiente posso fazer muitas coisas, mas sempre dentro das minhas limitações.’’
Quem quiser saber mais sobre o projeto de Silva deve entrar em contato com o Instituto Londrinense de Trabalho e Instrução para Cegos através do telefone: (043) 327-4330, com a coordenadora Ivone Gomes.

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