Estudante avalia impacto de resíduos caninos na saúde humana
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Uma informação, uma ideia, um projeto premiado: o estudante Tales Meira Gaspar, 12 anos, da sétima série do Colégio Universitário de Londrina, foi o vencedor da categoria Ciências Biológicas e da Saúde, na oitava edição do Prêmio Jovem Talento da Ciência, da Unopar, com o estudo dos impactos ambientais e na saúde humana de resíduos sanitários de cães. Outro invento curiosos é de um abajur contra a dengue.
Percebi que com o crescimento populacional há também o aumento no número de animais domésticos, então resolvi realizar um estudo de caso no meu bairro, citou Tales, que levantou o número de habitantes e de cães do Jardim Pacaembu (Zona Norte) e também questinou os moradores sobre cuidados com animais.
O estudante contou 206 cães no bairro, que tem 151 residências, o que dá um cão para cada três habitantes. Extrapolando as informações para o município, guardadas as proporções, imagino que a população de cães domiciliados hoje é de 170 mil, podendo chegar a 230 mil, completou.
Na pesquisa, ele descobriu que um cachorro produz, em média, 300 gramas de dejetos por dia. Em Londrina, devem ser 51 toneladas diárias de dejetos, destacou Tales, percebendo ainda que a destinação desse lixo é feita de maneira precária pela famílias.
Normalmente o dejeto é colocado em sacolas de mercado no lixo comum, que é recolhido pelos caminhões e descarregado em aterros sanitários. E quando o caminhão compacta o lixo, há rompimento da sacola e parte do dejeto é derramado na rua, atingindo a rede de esgoto, explicou.
A pesquisa apontou que 73% dos dejetos caninos produzidos no bairro são descartados no aterro sanitário que, para o aluno, não é o destino ideal. A melhor forma de eliminar os dejetos é na rede coletora de esgoto, afirmou Tales, ressaltando que 6% dos entrevistados disseram que enterram o dejeto: A população não sabe que este dejeto não é adubo e sim fonte de contaminação de lençóis freáticos. E, mesmo no lixo comum, ele se torna perigoso, pois fica em exposição no aterro, podendo contaminar mosquitos vetores, reiterou.
Com a pesquisa em mãos, Tales pretende acionar a Câmara Municipal e a Assembleia Legislativa para propor a regulamentação da coleta do dejeto sanitário de cães que, para ele, deve ser diferenciada. Também pretendo pedir às empresas de ração que informem melhor nos rótulos dos produtos sobre a destinação correta de dejetos caninos, concluiu.
Segundo o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), André Nadai, hoje, os dejetos caninos são descartados junto ao lixo orgânico. Ele concordou com os resultados da pesquisa do estudante Tales Gaspar, a qual apontou a rede coletora de esgoto como a melhor maneira de eliminar este tipo de resíduo. Mas é possível fazer uma análise para o uso desse material como composto orgânico, completou Nadai, descrevendo que
das 370 toneladas diárias de lixo produzidas em Londrina, 20 a 25% são rejeito, 30% recicláveis e o restante é lixo orgânico.


