Curitiba - A estudante de Farmácia que conseguiu na Justiça o direito ao benefício do Programa Universidade para Todos (ProUni) ainda não sabe se fará a matrícula para o próximo ano letivo. Rosenalva da Silva Garcia, 37 anos, que ganhou o direito a uma bolsa de 50% mesmo tendo concluído o ensino médio em escola particular, entrará com o pedido de Financiamento Estudantil (Fies) para conseguir pagar as mensalidades.
A decisão do juiz Friedmann Wendpap, da 1 Vara Federal, foi acatada pela Unibrasil, que garantiu que não entrará com recurso sobre a sentença. De acordo com o advogado da instituição, Carlos Eduardo Dipp Schoembakla, a matrícula de Rosenalva está garantida, embora a decisão ainda seja sujeita a análise do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, procedimento comum para essas situações.
Para Wendpap, a situação de Rosenalva, que terminou o segundo período do curso graças a empréstimos e ajuda do pai, é semelhante a de um aluno de escola pública que faz cursinho preparatório para o vestibular. ''Entendi que, apesar de ter estudado em escola particular, ela, atualmente, não teria condições de pagar uma faculdade privada. Condições econômicas são momentâneas, não eternas''. A estudante concluiu o ensino médio em 1996. ''Na escola pública que eu frequentava, chegamos a ficar sem professor de português e matemática. Pensei que, se um dia fosse entrar em uma universidade, teria que me sacrificar e pagar uma particular''. Hoje trabalhando em um hospital, ela conta que o salário de R$ 540 não é suficiente para arcar com as despesas dos estudos. ''Não é só a mensalidade. Tem ônibus, livros, xerox. Eu até já endividei uma parte da minha família para pagar o primeiro ano'', conta. Esperançosa, ela garante que, com o benefício do ProUni e do Fies, conseguirá se formar.

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