O estudante de Administração da Universidade Tuiuti Luis Eduardo Souza dos Santos, 20 anos, confessou ontem que espancou a garota de programa Vera Lúcia Paluzyszyn, 43 anos, mas negou ter sido o autor do assassinato. Vera morreu na madrugada de sexta-feira após ter sido agredida em um dos hotéis da rua Saldanha Marinho, centro de Curitiba. O rapaz se apresentou pela manhã na Delegacia de Homicídios para prestar declarações. Ele pode ser indiciado por homicídio doloso, crime que prevê de 12 a 30 anos de detenção.
Santos contou ao delegado Luciano de Pinho Tavares, da Delegacia de Homicídios, que foi a primeira vez que fez um programa com uma prostituta. ‘‘Eu já tinha ido lá (na boate Metrô) algumas vezes, mas só para ver os shows’’, afirmou. ‘‘Coisa de moleque’’. Ele disse que começou a brigar com Vera quando ela quis cobrar a mais pelo programa.
Segundo o estudante, o preço combinado era R$ 30, mas quando ele foi pagar, Vera teria exigido R$ 100. ‘‘Ela me ameaçou e disse que seus amigos iam me pegar. Aí, ela puxou um canivete e caímos no chão. Dei socos na cabeça dela’’, admitiu.
Acompanhado dos pais e sem querer ser fotografado ou ter seu nome completo revelado, Santos detalhou o caso. ‘‘Eu estava apavorado e não sabia o que fazer. Eu não matei ela. Eu não percebi que ela ia morrer’’, repetia nervoso, mas sem perder o controle. Santos disse que ela estava viva quando ele foi embora. ‘‘Ela ainda respirava’’, afirmou.
O porteiro do hotel teria perguntado a Santos, quando ele deixou o local, onde estava a garota. Ele disse que ela havia descido para outro quarto, onde estava uma outra prostituta, com um colega de Santos. Duas horas mais tarde, a garota foi encontrada morta.
Os policiais da Delegacia de Homicídios não encontraram o canivete que teria sido usado por Vera. O rapaz tinha resposta para o sumiço. ‘‘Joguei fora junto com meu boné e roupas’’, justificou.
O advogado Guilherme Gonçalves admitiu que ‘‘ele é o autor’’. ‘‘Ele nunca deu sinais de agressividade e até frequenta a Igreja. Ele é de classe média e agiu sob forte emoção’’, declarou.
O delegado afirmou que ainda há muitas contradições nas histórias contadas pelo estudante e pelas testemunhas, mas que não há mais dúvidas de que o rapaz espancou a mulher. ‘‘Estamos aguardando o resultado do exame de corpo de delito feito pelo Instituto Médico Legal para saber a causa da morte’’, afirmou Tavares. O inquérito policial fica pronto em um mês.

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