Estrutura é desafio de delegada do Nucria
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quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
O Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crime (Nucria) já conta com uma delegada exclusiva para comandar os trabalhos de investigação em Londrina. Lívia Graziela Pini, que atuava em Andirá (Norte Pioneiro), solicitou a transferência para Londrina ao ser informada sobre a falta de delegado exclusivo para o Nucria. Lívia é formada em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a nomeação para o cargo atende a uma reivindicação antiga dos envolvidos no combate a crimes contra menores de 18 anos. A delegada da Mulher, Geane Aparecida dos Santos, acumulava os trabalhos.
Entre os desafios da nova delegada estão a carência no número de funcionários, problemas estruturais no prédio do núcleo, falta de salas adequadas para receber crianças e adolescentes, ausência de equipe multidisciplinar e demora na realização da perícia pelo Instituto de Criminalística. "Para as oitivas das crianças é necessário que nós tenhamos uma equipe de psicólogos exclusiva para o Nucria. Será preciso fortalecer a rede com o apoio do Conselho Tutelar, do Creas [Centro de Referência Especializado de Assistência Social] e do Ministério Público para poder oferecer esse trabalho no município", destacou Lívia.
O Nucria de Londrina conta hoje com um escrivão, quatro investigadores, um estagiário e duas viaturas. Conforme a delegada, seriam necessários, no mínimo, dois psicólogos. A partir da próxima semana, Lívia pretende instituir protocolos de trabalho e de investigação com base nas experiências desenvolvidas pelo núcleo de Curitiba.
Na última semana, uma audiência pública sobre o combate à exploração sexual promovida na Câmara de Vereadores de Londrina resultou na formalização de uma carta de reivindicações para melhorias nos órgãos envolvidos nas investigações desse tipo de crime. A necessidade de uma delegada exclusiva para o núcleo foi um dos pontos discutidos. "Há uma cultura da impunidade em relação a esses crimes e isso é preciso mudar. Citei casos que aconteceram recentemente e que foram veiculados na imprensa onde há a mentalidade das pessoas de que uma criança de 11 e 12 anos, porque aparece na mídia, pode ser exposta a achaques e cantadas. [
] Há que se ter uma mudança de mentalidade e punição para esse tipo de conduta. Enquanto houver essa mentalidade e quem agir dessa forma não for punido, a situação não vai mudar", reforçou a promotora Susana Lacerda.
Com a vinda da delegada para Londrina, haverá um remanejamento na Polícia Civil para que a equipe de Andirá não fique desfalcada. Outra mudança recente foi a transferência do delegado Ricardo Casanova, que atuava na Divisão Estadual e Narcóticos (Denarc) em Londrina, para a função de delegado-adjunto do 1º Distrito Policial. Ele também vai responder pela Delegacia de Trânsito e pelo setor de Carta Precatória da 10ª Subdivisão Policial. O Denarc continua sob a responsabilidade do delegado Lanevilton Moreira. "Eu vejo como positivas essas mudanças porque temos vários inquéritos parados, sem investigação. O número de delegados ainda é pequeno. Precisamos de muito mais, mas a questão do Nucria é uma questão histórica e de prioridade absoluta", destacou o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Sebastião Ramos dos Santos Neto.
As cidades de Curitiba, Foz do Iguaçu, Paranaguá e Ponta Grossa também têm sedes regionais do Nucria. Conforme a assessoria de imprensa da Polícia Civil, o governo do Estado pretende implantar em breve núcleos em Maringá e Cascavel. Os prazos não foram informados. Em Londrina, o Nucria fica na Rua Gago Coutinho, 833, Jardim Caravelle (zona leste), próximo à Avenida Santos Dumont. O telefone disponível é (43) 3325-6593. O horário de atendimento é das 8h30 às 12h e das 14h às 18h.


