Curitiba - Apesar das dificuldades, os profissionais de saúde entrevistados pela FOLHA consideram que o serviço público de saúde bucal evoluiu. ''A Odontologia sempre foi relegada a segundo plano nos programas de saúde pública. Nos últimos anos, houve um salto na área'', acredita Antônio Carlos Nardi, do Cosems.
Michelle Christie Abboud, chefe da Divisão de Saúde Bucal da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), afirma ter ''certo receio'' em relação aos dados do IBGE. ''Eles trabalham muito com amostragem. Em todo caso, a estrutura do serviço público de saúde bucal está bem organizada. Há uma grande cobertura, comparando com outros estados. Mas precisamos considerar que há uma questão cultural: muitas pessoas só procuram o dentista quando sentem dor'', explica.
A chefe descreve que as equipes de saúde bucal do Programa Saúde da Família, que realizam atendimento básico, proporcionam uma cobertura de 47% da população paranaense, índice que seria superior ao verificado em muitos estados. A respeito do atendimento mais especializado, Michelle afirma que o Brasil Sorridente, programa do Governo Federal que também envolve as esferas estaduais e municipais da administração pública, está atenuando as demandas.
''No Paraná, há 41 centros de especialidades odontológicas, distribuídos em todas as regionais de saúde'', diz a chefe. Michelle aponta também que o Paraná possui 24 laboratórios regionais públicos de próteses dentárias. ''Outra contribuição importante é o fluoretamento das águas de abastecimento, iniciativa que em 2008 completa 50 anos, e que atende 96% da população do Paraná. Foi uma ação que reduziu drasticamente a ocorrência de cáries. Mais uma iniciativa é o Programa Bochecho com Flúor, com atendimento a 750 mil estudantes da rede pública de ensino'', afirma. (F.G.)

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