A Secretaria de Obras de Londrina deve preparar um laudo técnico sobre a estrutura do Terminal Central de Transporte Coletivo, da Rodoviária, do Anfiteatro do Zerão e também da barragem do Lago Igapó. O objetivo é levantar os problemas dos prédios públicos e apresentar soluções viáveis para contratação dos serviços por meio de processo licitatório. A depender dos usuários de alguns dos espaços, há muito que ser feito.
Durante visita na manhã de ontem ao Anfiteatro do Zerão, na área central, a reportagem da FOLHA constatou problemas antigos, como bancos quebrados, escadarias com rachaduras, grades de acesso ao palco danificados e grelhas soltas, além de várias pichações.
Evidenciando o aspecto de abandono, no anfiteatro havia garrafas de bebida, bitucas de cigarro, roupas, calçados e muito lixo, além de um abrigo improvisado, com direito a dois colchões. O mau cheiro era insuportável, mostrando que o local também é usado como banheiro.
"Pensei que era a (equipe da Secretaria de) Assistência Social que finalmente tinha vindo dar um jeito nisso aqui", exclamou o analista contábil Charles Marques, ao ver a reportagem. no local. Ele conta que vai quase diariamente com o filho pequeno ao Zerão e já presenciou todo tipo de problema. "Vemos usuários de drogas e também já flagrei meninos pichando as paredes."

Infiltrações
No Terminal Central os problemas são inúmeros, mas o que mais preocupa são as infiltrações. Uma grande reforma foi feita em 1994, justamente pelo mesmo problema. Inaugurado em 1988, diariamente circulam pelo local cerca de 60 mil pessoas e 200 ônibus. No ano passado foram realizadas obras no local, mas se limitaram a adequações para facilitar a acessibilidade, como a colocação de piso tátil. Também foram reformados os banheiros e feita a pintura de grades e do teto.
Mesmo não tendo chovido na manhã de ontem, baldes eram usados para tentar conter a água em locais de passagem de pedestres. No piso inferior não é preciso esforço para encontrar goteiras. "Tudo aqui tem problema", reclama um funcionário, que não quis se identificar. "Banheiros, buracos no asfalto, infiltrações, é muita coisa", enumera.
No piso intermediário é fácil encontrar buracos no forro, deixando à mostra fios e canos, de fácil acesso a qualquer pessoa. Os banheiros estavam limpos, mas não havia sabonete nem papel para enxugar as mãos. "Parece que não foi feita reforma nenhuma, só arrumaram esse piso. Quando chove é bem difícil, faz uma poça de barro", reclamou a empregada doméstica Maria Izabel Calixto.
Para a autônoma Josefa Maria Santos a chuva traz outro inconveniente. Usuária do local de "segunda a domingo", como descreve, ela afirma que quem precisa esperar o ônibus no piso superior também acaba se molhando, já que os pontos só têm cobertura. "Quando chove espirra água em todo mundo, acho que poderiam providenciar uma proteção pelo menos atrás dessas grades, já ajudaria bastante", solicita.
Para a dona de casa Maria José da Silva Dias, que é cadeirante, mesmo com toda a reforma ainda há problemas. "O banheiro para nós não tem a altura adequada, fica difícil usar o vaso sanitário. O elevador também é muito apertado. Pelo menos as rampas ficaram boas", ressalta.

Manutenção
Em entrevista ao Portal Bonde, o secretário de Obras Sandro Nóbrega afirmou que os problemas no terminal não foram provocados pelo processo de construção, mas pela falta de manutenção. "A construção foi muito bem feita para aquela época. O problema é a falta de cuidado e manutenção durante o tempo", ressaltou. Sem o preventivo, ele explicou que as infiltrações e outros danos são inevitáveis.
Ainda segundo o secretário, na reforma do ano passado não foram contratados todos os serviços necessários para atender as necessidades do local, mas a nova reforma deverá garantir a segurança estrutural dos prédios públicos ao invés de ser apenas um paliativo. Não há prazo para conclusão do levantamento. (Colaborou Rafael Fantin/Equipe Bonde)

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