Estresse no Dia Mundial sem Carro
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
A primeira participação de Londrina no Dia Mundial sem Carro, realizado ontem, foi marcada por desinformação, reclamações e também congestionamento. Durante todo o dia a Rua Professor João Cândido, entre a Avenida Juscelino Kubitscheck e a Rua Benjamim Constant, na Área Central, ficou fechada para veículos particulares, sendo autorizado apenas o tráfego de ônibus coletivo e táxis. Com exceção da Rua Alagoas, devido à feira, foi possível fazer o cruzamento da rua.
O maior problema foi registrado na Av. JK, onde o congestionamento atingiu algumas quadras. Das pessoas ouvidas pela reportagem da FOLHA, a maioria não sabia o motivo da interdição nem da campanha para deixar o carro em casa, principalmente os motoristas que aguardavam, aborrecidos, o abre e fecha insuficiente dos semáforos na avenida.
O vendedor Antônio Sérgio Castro reclamava que tinha demorado mais de cinco minutos para dar a volta em torno do Cemitério São Pedro. ''Reconheço que temos que diminuir a poluição, mas para algumas pessoas, o carro é uma ferramenta de trabalho.''
A empresária Regiane Cristina Freitas também não sabia da campanha pelo dia sem carro, mas achou interessante. ''Eu andaria mais sem meu carro se as pessoas respeitassem quem anda de bicicleta, mas ninguém respeita'', reclamou.
O aposentado Antônio Carlos de Oliveira tentava, sem sucesso, transitar pela avenida JK, e considerou o dia de ontem como o ''Dia do Engarrafamento em Londrina''. ''Não deviam interditar uma rua por causa disso, tem muita gente que precisa do carro'', reclamou.
Alguns motoristas afirmaram que teriam deixado o carro em casa, se soubessem da campanha pelo meio ambiente, como o autônomo Alexandre da Silva, que previa um grande transtorno no trânsito.
A advogada Rosângela Kater, moradora da região, reclamou da dificuldade que teria para chegar ao trabalho, ainda mais com parte da Rua Alagoas interditada por causa da feira livre. ''Não é tirando um meio de transporte que vamos educar as pessoas, é nas escolas.''
Comércio
Alguns comerciantes registraram prejuízos por causa da interdição. Um estacionamento na Rua João Cândido estava fechado. Outro, localizado em uma esquina, conseguiu abrir porque tem um portão lateral, onde havia fluxo de veículos. ''Pararam até agora apenas três pessoas 'horistas', o restante é mensalista. Calculamos um prejuízo de 75% na renda de hoje'', lamentou Israel Aparecido da Silva, responsável pelo estacionamento. Ele ficou sabendo nesta semana do Dia Mundial sem Carro porque os clientes perguntaram se o estabelecimento iria abrir. ''Querem ajudar o meio ambiente, mas atrapalham o movimento de quem tem comércio.''
Entre os pedestres, também havia curiosidade sobre a falta de movimento de veículos. As donas de casa Jaqueline Cristina de Almeida e Lorena Aparecida de Lima elogiaram a iniciativa. Segundo elas, que andam sempre a pé, um dia somente não seria problema.
Shirlei Messias dos Santos estava em busca de emprego e já tinha usado o transporte coletivo. ''Não notei maior movimento, nem escutei ninguém comentando sobre usar o ônibus por causa da campanha.''


