Maringá - O excesso de estresse no trabalho tem prejudicado muitos dos funcionários do Hospital Universitário de Maringá (HU). A função que deveria trazer realização profissional tem gerado problemas constantes de saúde e no ano passado foi responsável pela morte de três funcionários, como revela a superintendência do HU. Atualmente, muitos apresentam problemas de saúde e por isso são obrigados a tomar medicamentos controlados e passar por tratamentos constantes.
O hospital conta com 700 servidores e mais de 50% estão estressados, de acordo com uma pesquisa feita pela superintendência do hospital. Para tentar diminuir o problema, a partir de agosto terá início um programa de acompanhamento dos funcionários, com a ajuda do departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
O superintendente do HU, José Carlos Amador, explica que o programa foi a forma encontrada para tentar diminuir os problemas dentro do hospital. Segundo ele, os funcionários, principalmente os da portaria, trabalham com um nível de estresse muito alto. ''O HU é referência para toda região e os atendimentos do Pronto-Socorro, na grande maioria, são de urgência e emergência. Ou seja, os funcionários trabalham o tempo todo no limite'', explica.
Funcionários que não quiseram se identificar afirmaram que o trabalho no HU é complicado, principalmente durante a madrugada, quando o hospital recebe pessoas acidentadas e embriagadas. Esses pacientes muitas vezes ficam violentos.
A falta de espaço para atender os pacientes também é apontada como um dos problemas. O hospital, que foi projetado para ter 28 mil metros quadrados de construção, possui apenas oito mil metros quadrados. Dos 300 leitos que deveriam existir, o hospital conta com 81 e 30 deles são usados para Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Essa falta de espaço faz com que todos os dias os corredores do Pronto Atendimento amanheçam lotados de pacientes em macas improvisadas. Essa situação cotidiana de improviso é um dos problemas que geram um alto nível de estresse entre os funcionários, pacientes e parentes que, muitas vezes, descontam a ansiedade, dor e preocupação nos servidores. Quem trabalha na portaria, geralmente, sofre agressões verbais e ameaças.
Um dos funcionários, que não quis se identificar, disse que o problema é pior nos finais de semana, quando o número de pacientes praticamente dobra. ''São pessoas que realmente precisam de atendimento e acabam ficando pelos corredores por falta de espaço. Isso estressa, porque os pacientes ficam irritados e os parentes também'', explica.
Para o superintende do HU, a construção de novos espaços ajudaria, inclusive para que os funcionários trabalhassem com mais tranquilidade. No entanto, não existe uma previsão de obras para ampliação no hospital. ''Um novo espaço já melhoraria o ambiente de trabalho'', completa Amador.
O clima no HU só fica mais tranquilo na parte da tarde, quando os pacientes já foram medicados e encaminhados para outros hospitais ou para suas cidades de origem. Mas depois vem a noite, e o estresse recomeça.

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