Caminhoneiro há 20 anos, Pedro Paulo da Silva, 50, acredita que o ‘‘rebite’’ é hoje a causa de 30% dos acidentes envolvendo caminhões. A bebida alcoólica seria responsável por outros 10% dos acidentes. ‘‘Se não usar rebite, não chega em tempo. Se não chegar na hora combinada, eles devolvem a carga. A gente perde dinheiro, tempo e volta para casa sem ter o que comprar para a mulher e os filhos comerem’’, justificou.
O caminhoneiro S.R., 29 anos, também está acostumado com o rebite. Ele disse que faz 900 quilômetros ‘‘brincando’’. Duas vezes por semana ele sai de Curitiba e vai para o Mato Grosso. S.R. conta que já carregou verduras de Belém (PA) para São Paulo (SP), de Petrolina (PE) até São Paulo (SP). ‘‘Cheguei a fazer 56 horas direto, sem dormir, só no rebite. É uma droga, deixa aceso, mas com o tempo o efeito vai acabando’’, contou.
Muitos caminhoneiros começam tomando um rebite por dia. Depois acabam aumentando a dose para continuar acordado. ‘‘Conheço muitos motoristas que precisam tomar dez por dia. E são viciados mesmo. Acho que quando não viajam tomam rebite de qualquer forma’’, comentou.
O neurologista Pedro Kowacs analisou a ação do rebite e o pouco sono no trabalho diário dos caminhoneiros. De acordo com ele, a quantidade pequena de sono pode ocasionar diminuição da capacidade de atenção, perda da capacidade de memória, micro-sonos diurnos, inclusões de sonhos com a realidade, irritabilidade. ‘‘Essas pessoas têm maior facilidade para acidentes, até por conta da perda da atenção’’, analisou.

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