Estresse é fator para aparecimento de cancer
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de outubro de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Os efeitos do estresse vão além do sentimento de insatisfação enfrentado pelas pessoas que sofrem com o problema. Um estudo realizado por três profissionais do Centro de Ciências de Saúde (CCS) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) comprovou cientificamente a relação entre o estresse crônico e a manifestação ou agravamento do câncer.
As autoras da pesquisa são a farmacêutica bioquímica Edna Maria Vissoci Reich, a biomédica Helena Kaminami Morinoto (ambas do departamento de Patologia, Análises Clínicas e Toxicológicas da UEL) e a médica psiquiatra Sandra Odebrecht Vargas Nunes (do departamento de Clínica Médica da universidade). O artigo foi publicado no dia 1º de outubro na revista inglesa ''The Lancet Oncology''. O texto, segundo Edna, traz uma revisão histórica de trabalhos realizados anteriormente sobre o assunto.
Segundo as pesquisadoras, o estresse - emocional ou físico - pode desencadear alterações hormonais, endócrinas e neurológicas que afetam o sistema nervoso. Ao reagir a essas alterações, o organismo libera substâncias que afetam uma das funções do sistema imunológico: a vigilância contra as células tumorais. A relação com o câncer, enfatizaram, é percebida nos casos de estresse crônico. Entre as causas do problema, estão as doenças crônicas, a depressão, a ansiedade, a angústia, o medo e o abandono.
Segundo as especialistas, o trabalho não afirma que o estresse, isoladamente, cause câncer. ''É uma fator a mais de aparecimento da doença'', esclareceu Edna. Aspectos genéticos e ambientais, além de dieta inadequada, infecções e fatores emocionais completam a lista de possíveis causas para a patologia.
O estresse também funciona como agravante no caso de pacientes que já têm a doença. O câncer sob controle pode piorar quando a pessoa é submetida a situação de estresse crônico. ''Uma pesquisa mostra que pacientes com câncer cujos filhos morreram na guerra tiveram sobrevida menor do que aqueles que não passaram pela tragédia'', explicou Edna. A perda de filhos, aliás, é uma das mais importantes causas do estresse crônico. Pessoas que cuidam de doentes também são bastante suscetíveis à alteração.
Apesar de ser considerado um problema de saúde pública, as pesquisadoras salientam que não dá para evitar o estresse em determinados momentos da vida. Perda de controle, falta de esperança e a sensação de que não se pode contar com ninguém estão entre as características das vítimas. ''São esses sentimentos que alteram o cérebro'', disse a psiquiatra Sandra Vargas.
Para conviver com o problema, é preciso saber controlá-lo, o que implica em aprender a lidar com o imprevisível. ''Trabalhar as emoções com o altruísmo, a leitura e um casamento estável, por exemplo, ajudam a administrar as crises'', ensinou.


