O gosto pela arte, o fascínio por coleções ou a habilidade com as atividades manuais. Seja por herdarem os interesses dos pais ou por acompanhá-los nas atividades, muitas crianças acabam compartilhando os mesmos hobbies. Mas será que isso é positivo para relacionamento de pais e filhos? A neuropsicóloga Rosimary Oliveira, de Londrina, afirma que sim e de acordo com a especialista, a prática do hobby em comum é tão positiva que pode ajudar até no fortalecimento do vínculo afetivo entre as gerações.
''Com o estilo de vida moderno, os pais passam muito tempo fora de casa trabalhando, enquanto os filhos são sobrecarregados com um grande número de atividades. Pais e filhos quase não têm contato físico, quase não conversam, o que acaba comprometendo o relacionamento entre eles'', destaca. ''E quando eles se propõem a fazer uma atividade em comum, eles estão estreitando esses laços afetivos. É um momento em que eles aproveitam para conversar, trocar ideias e que talvez não teriam se não tivesse separado esse tempinho.''
Segundo Rosimary, essa proximidade se explica porque durante a atividade ambos estão focados em um mesmo objetivo e não há sobreposições de papéis. ''Eles estabelecem uma parceria. Nesse momento, os diferentes papéis e expectativas, das diferentes gerações que geralmente permeiam relacionamentos conflituosos entre pais e filhos, principalmente na adolescência, já não mais existe'', afirma, acrescentando que antes de iniciar qualquer hobby, a dupla deve decidir junto e ninguém deve ser forçado a fazer alguma atividade só para agradar o outro.
Para a neuropsicóloga, a atividade em comum pode ser tão benéfica tanto para os filhos quanto para os pais. ''Muitas crianças e adolescentes que vêm até meu consultório revelam que também têm dificuldade de compartilhar coisas de suas vidas com os pais, porque eles não têm tempo de ouví-las ou porque minimizam o motivo que está fazendo com que sofram.''
Réplicas
Atento ao bem-estar dos filhos e comprometido em participar cada vez mais da vida dos meninos, o professor de inglês Ely Torresin conta que utiliza os momentos de criação das réplicas de aeronaves como estratégia para estreitar os laços com os filhos.
Torresin lembra que o interesse dos filhos Victor, 15, e Thomas, 8, pelo mesmo hobby do pai, o aeroplastimodelismo, vem desde cedo, quando os meninos ainda bem pequenos passavam horas acompanhando-o a montar modelos de aeronaves da 2 Guerra Mundial. ''Hoje, o Victor já monta miniaturas muito próximas das reais. Ele é atento aos detalhes e conversa muito comigo sobre o que pode ser melhorado. Nessas horas, ele fica muito mais aberto e nós aproveitamos para conversar sobre como foi a semana dele, o que aconteceu.'', revela. ''É mesmo uma estratégia que uso para lidar com ele, para estar mais próximo, já que esse distanciamento dos pais é comum na adolescência.''
De acordo com Torresin, a único desafio para ele é vencer a falta de paciência dos meninos, que sempre querem ver as miniaturas finalizadas rapidamente. ''Eles não conseguem esperar muito tempo para ver tudo pronto, querem terminar logo e nem sempre dá para acompanhar o ritmo deles, devido às tarefas do dia a dia. Mas, de certa forma, isso é bom, porque mostra para eles a importância de sempre finalizar os projetos a que nos propomos.''

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