Estréia de coral alegra idosos em asilo
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quinta-feira, 05 de agosto de 2004
Rosângela Vale<br>Reportagem Local 
Uma apresentação no Asilo São Vicente de Paula, no último domingo, marcou a estréia oficial do Coral Zona Leste, coordenado pelo maestro Jorgisnei de Rezende. O repertório recheado de composições antigas, como ''Flor no Cafezal'' (Luiz Carlos Paraná), ''Luar do Sertão'' (Catulo da Paixão Cearense) e ''Moreninha Linda'' (Tonico/Priminho/Maninho), foi executado três vezes. Duas delas em versão compacta, nas alas da enfermaria. A programação completa, com 11 canções, foi apresentada no salão principal da instituição.
Ainda que parte da platéia não pudesse manifestar a satisfação por ouvir músicas que certamente fizeram parte da história de cada um, quem conseguiu puxar pela memória os versos esquecidos fez questão de acompanhar o coral. Já no amplo salão, alguns ''pés de valsa'' não deixaram por menos e mostraram que continuam entendendo do assunto.
Formado por 40 pessoas de 15 a 70 anos, o Coral da Zona Leste iniciou os ensaios em abril, com o patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Muitos participantes nunca haviam tido aulas de música antes. É o caso da assistente de odontologia Elizabeth Silva Torchetti, uma das mais animadas durante o encontro com os idosos. ''Acho que conseguimos deixá-los um pouco felizes'', observou.
De acordo com o maestro Jorgisnei, o principal objetivo do projeto é proporcionar aos moradores da Zona Leste o acesso às aulas de canto, já que o interesse em formar um coral partiu de vários setores daquela comunidade. A escolha do repertório apresentado no asilo foi uma forma de homenagear os 70 anos de Londrina, uma vez que as histórias de muitos ''moradores'' do local se confundem com a história da cidade.
Animada com a tarde musical, a diretora do asilo, Irmã Luzia, manifestou o desejo de ter um coral formado pelos próprios idosos. E fez um apelo aos profissionais da área de música dispostos a realizar um projeto na instituição. ''Tem muitos talentos aqui'', revelou.
Sebastião Assunção, 73 anos, é um deles. Nascido em Minas Gerais, foi trabalhador na lavoura em São Paulo e cantor de rádio em Corbélia e Santa Cruz do Rio Pardo. Fã dos poetas antigos, ele também compõe. Com a voz comprometida por causa da gripe, Seo Sebastião não quis se juntar ao coral, mas se lembrou de alguns versos que escreveu em homenagem ao falecido pai. ''Quando ainda pequeno o pai perdi/meu Deus, ai como é triste, desolador/não ter nessa vida/De pai o amor/Em teus olhos brilha a claridade, o esplendor/Mas quem vai agora acalmar a minha dor?''


