Estratégia de saúde pública
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sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Reportagem Local 
Brasília - A Organização Mundial de Saúde (OMS) indica que 290 milhões de mulheres no mundo são portadoras do vírus HPV, sendo que, destas, 270 mil morrem por ano devido ao câncer de colo do útero. Neste ano, o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) estima o surgimento de 15 mil novos casos no Brasil.
Em 2008, Luciana Alcântara, de 31 anos, observou que estava com alguns carocinhos, que pareciam verrugas na região genital e se deparou com uma série de dúvidas que acompanharam seu diagnóstico. "Como contar ao seu novíssimo namorado que você pode ter passado a ele uma doença? Como dizer que há um tempo você teve relações sexuais com um cara sem camisinha e que tudo indica ter sido dele que você pegou o HPV? Você pensa: como ele vai receber essa história? O que ele pensará de mim? Pior: como falar para o tal cara que ele pode ter te passado o vírus? Enfim, uma salada de perguntas constrangedoras", relata.
O vírus HPV é transmitido pelo contato direto com pele ou mucosas infectadas por meio de relação sexual. Também pode ser transmitido da mãe para filho no momento do parto. Os subtipos 16 e 18 do vírus são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero em todo mundo e os subtipos 6 e 11 por 90% das verrugas anogenitais.
O Ministério da Saúde passou a ofertar a vacina contra o HPV no Sistema Único de Saúde (SUS) em de março deste ano e meninas de 11 a 13 começaram a receber a segunda dose no mês de setembro. A vacina também está disponível para aquelas que ainda não tomaram a primeira dose. Cada adolescente deverá tomar três doses para completar a proteção, sendo que a segunda, seis meses depois da primeira, e a terceira, de reforço, cinco anos após a primeira dose.
"(A vacina) é tão importante quanto todas as vacinas que tomamos na infância. Fundamental para saúde da mulher, visto que o HPV pode evoluir para o câncer de colo do útero. É importante que os pais tenham consciência da importância da vacina e não se deixem levar pela falsa ideia de que a vacina incentive a vida sexual precoce ou que ela tenha riscos para saúde", defende Luciana.
Atualmente a vacina é utilizada como estratégia de saúde pública em quase 100 países, por meio de programas nacionais de imunização. Estimativas indicam que, até 2013, foram distribuídas cerca de 175 milhões de doses da vacina em todo o mundo. A sua segurança é reforçada pelo Conselho Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas da OMS.
Tomar a vacina na adolescência é o primeiro de uma série de cuidados que a mulher deve adotar para a prevenção do HPV e do câncer do colo do útero. No entanto, ela não substitui a realização do exame preventivo e nem o uso do preservativo nas relações sexuais. O Ministério da Saúde orienta que mulheres na faixa etária dos 25 aos 64 anos façam o exame preventivo, o Papanicolau, a cada três anos, após dois exames anuais consecutivos negativos.


