Estrangeiros conhecem programas de saúde em Londrina e região
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terça-feira, 23 de outubro de 2001
Célia Guerra<br> De Londrina 
Cerca de 300 profissionais e alunos das áreas de saúde de 48 países visitaram ontem vários locais e programas de atendimento à saúde da população em Londrina, Cambé e Ibiporã. As visitas faziam parte da programação da Conferência Anual da Network, que começou sábado e termina amanhã em Londrina.
A Network é uma organização que reúne instituições de ensino em todo o mundo, com o objetivo de formar profissionais da saúde mais voltados para o trabalho com a comunidade. Londrina está sediando o encontro pela experiência desenvolvida pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) a partir dos novos currículos implantados nos cursos de medicina e enfermagem. O Centro de Ciências da Saúde (CCS) se inscreveu para sediar a conferência no ano passado, em Bahein (um pequeno país do Golfo Pérsico), onde foi realizado o último encontro da organização.
Os visitantes puderam escolher entre dez diferentes roteiros de visitas, incluindo a Bebê Clínica, Maternidade Municipal, Conselho de Saúde da Região Sul, Usina do Conhecimento, Postos de Saúde, Associação da Criança e do Adolescente de Londrina e o Centro Pastoral Santana (Assentamento Monte Cristo). Os roteiros, de acordo com a comissão organizadora, foram criados para mostrar as diferenças sociais da cidade, bem como a criatividade e a eficiência dos serviços de saúde na melhoria na qualidade de vida da população.
A proximidade entre a riqueza e a pobreza surpreendeu Stefan de Greef, 28 anos, estudante do 4º ano de medicina na Holanda. Ele conheceu as atividades desenvolvidas no Centro Pastoral Santana, na região do assentamento Monte Cristo, zona leste. Disse que havia conhecido uma realidade diferente da cidade, com pessoas alegres e que gostavam de dançar. ''Não imaginava tamanha injustiça social'', resumiu. Para Greef, ficou a impressão de que a Comunidade Européia pode tomar atitudes que promovam mudanças junto à população mais pobre.
Já o padre e médico Elias Arroyo Ramon, de Moçambique, relatou que já conhecia a realidade da pobreza no Brasil, porque morou no País por quatro anos. Ele reconheceu que a situação na África é muito pior. ''Temos um médico para cada 80 mil pessoas'', ressaltou. Existem apenas duas faculdades de medicina no país e Ramom é diretor pedagógico numa delas, a Universidade Católica de Moçambique.


