Estrangeiros ameaçam 'greve seca'
Emerson Cervi
De Curitiba
O grupo de oito presos estrangeiros da Penitenciária Central do Estado (PCE) entra hoje no quarto dia de greve de fome. Eles querem ser extraditados para seus países de origem, onde concluiriam as penas. Segundo o líder do movimento, o argentino Enrique Augustin Pinotti, se não houver uma decisão positiva para a exigência, em dois dias eles podem começar uma greve seca (sem tomar líquidos). Apesar de estarem sem comer desde sexta-feira à noite, os grevistas continuam tomando água. Vamos ficar assim até que alguém daqui morra e a culpa será da burocracia, que causa a demora na extradição, disse ontem Pinotti.
Ele e os outros sete grevistas foram condenados entre três e seis anos de reclusão por tráfico de drogas. A maioria cumpriu mais da metade da pena. Ninguém quer ser solto, mas temos direito à transferência por ter puxado mais de um terço da pena e estamos exigindo esse direito, afirmou. Os grevistas foram colocados em uma sela única, na 5ª galeria da PCE, onde funciona o isolamento. Ontem eles aparentavam cansaço e alguns estavam se sentindo mal. O médico da penitenciária visitou os detentos no início da tarde.
Nosso desejo é passar a virada do ano para o 3º milênio junto de nossas famílias, pois todos somos casados e temos filhos, lembrou Pinotti. Ele mesmo mal conhece o filho de um ano, que mora na Argentina com a mãe. Ao todo, o sistema penitenciário do Paraná tem 61 presos estrangeiros. Na PCE encontram-se 22. Segundo Pinotti, os outros detentos não foram convidados. É que nós oito somos companheiros de pátio e nem conversamos com os outros sobre isso.
O Secretário de Estado da Justiça e Cidadania, José Tavares, tem audiência marcada para hoje, em Brasília, com a secretária nacional do Ministério da Justiça, Elisabeth Sussekind, para tratar da extradição de todos os presos estrangeiros a seus países de origem. Já conversei com a secretária por telefone e ela se mostrou preocupada com a greve de fome, agora o trabalho para acelerar a extradição terá que ser político, afirmou o Secretário pouco antes de viajar.





