Estragos deixaram 200 desabrigados
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quarta-feira, 17 de maio de 2000
Chiara Papali De Londrina Especial para a Folha 
Cerca de 200 pessoas ficaram desabrigadas com o vendaval do final da tarde de anteontem em bairros das regiões oeste e sul de Londrina, segundo informou ontem a Defesa Civil. Os bairros mais atingidos foram o João Turquino e Maracanã, na zona oeste. O vendaval também danificou casas dos jardins União da Vitória e Bonifácio, na zona sul. No total, cerca de 70 casas foram destelhadas e algumas foram parcialmente destruídas.
Muitas famílias desabrigadas tiveram que recorrer ao auxílio dos vizinhos porque não tinham onde dormir. Outras preferiram ficar em suas próprias casas, mesmo alagadas e sem proteção, apesar da Secretaria de Ação Social de Londrina disponibilizar a escola municipal do Jardim Olímpico para acolher os desabrigados. Os moradores ficam com medo de sair de casa e serem roubados, perdendo o pouco que ainda têm, disse Duílio Scatulin, da Defesa Civil.
Também foram distribuídos cobertores e lonas para as famílias que tiveram as casas destelhadas. Segundo o coordenador-adjunto da Defesa Civil, Agnaldo José da Rosa, o trabalho de socorro às vítimas só foi encerrado por volta da zero hora de ontem.
Ontem pela manhã o sol brilhou em Londrina, mas o clima nos bairros atingidos foi de desolação. A chuva estragou roupas, alimentos, colchões, cobertores e móveis. As famílias aproveitaram a manhã para retirar a lama de dentro das casas. Algumas já iniciavam as obras de reconstrução, outras improvisavam consertos.
Rosângela Nascimento, 20 anos, e o marido Wilson Francisco Mendonça, 34 anos, tiveram a casa de um cômodo só destruída pela chuva. O telhado voou e a parede frontal desabou, mesmo sendo de blocos. Quando eu vi que ia cair tudo coloquei as crianças embaixo da cama para não se machucarem, relatou ontem a mulher.
Com dois filhos, um de três anos e outro de quatro, o casal passou a noite na casa dos vizinhos. Nós não sabemos o que fazer agora, estamos desempregados e os bicos que fazemos não dão nem para comer direito, disse Rosângela.
Outra vítima da chuva foi Paulo Sérgio de Jesus, 18 anos, que teve a casa destelhada. Paulo, que vive com a mãe e três irmãos, passou a manhã tentando proteger com lonas o que havia sobrado da casa. Estragou praticamente tudo e nós nem contamos para minha mãe, senão ela fica doente, disse.
A dona-de-casa Maria Aparecida Teodoro, 30 anos, passou a noite na própria casa destelhada com os seis filhos. Não tinha para onde ir, forramos o chão com algumas tábuas e dormimos no molhado mesmo, disse. Ela ainda não sabe como vai reconstruir a casa. Não tenho dinheiro, não sei o que fazer.
Rubismar Iani, 44 anos, presidente da Associação de Moradores do João Turquino, reclamou da falta de infra-estrutura do bairro. Não precisa nem de temporal para que os moradores tenham problemas, disse.


