Estrago condena flamboyant à morte. Moradores reclamam
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quarta-feira, 30 de julho de 1997
Edmara Michetti 
Londrina
Josoé de CarvalhoNova técnicaA árvore no jardim Califórnia: tronco descascado com instrumento cortante compromete o vegetalUm flamboyant vermelho pode estar condenado à morte no jardim Califórnia (zona leste). Ele foi atacado por uma nova técnica para acabar com árvores que vem sendo adotada por alguns londrinenses. A árvore, que tem mais de 10 anos e fica na rua Dolores Maria Bueno, em frente ao número 363, teve parte da casca do tronco retirada com um instrumento cortante. A parte descascada formou um anel com cerca de cinco centímetros de largura e um centímetro de profundidade em torno de toda a árvore.
Os moradores da casa negam ter sido os responsáveis pela tentativa de matar o flamboyant e afirmam que a árvore foi destruída há cerca de uma semana. Reginaldo Rossi acredita que o ataque contra a árvore foi feito por condutores de furgões que passam pelo local. Segundo eles, o tráfego desses veículos é grande pela rua Dolores Maria Bueno e os galhos que cruzam a via acabam atrapalhando a passagem. Dá pra ver os galhos raspados pelos caminhões, aponta, mostrando um deles. Só pode ter sido durante a noite, porque ninguém viu nada, diz a mãe de Reginaldo, Neuza Rossi.
Nós jamais cortaríamos, fui eu que plantei logo depois que nos mudamos para cá, conta Neuza. A árvore dá trabalho, mas eu cuido dela com carinho porque faz sombra em toda a frente da casa. Enquanto fala da possibilidade da árvore morrer, Neuza chega a se emocionar. Já distribuí muita muda. Várias pessoas que passam por aqui aproveitam para descansar na sombra dela. Não somos só nós que vamos sentir falta dela, muita gente da redondeza vai sentir também. Neuza lamenta e afirma que, se a árvore realmente morrer, vai plantar outra por perto.
A Autarquia do Meio do Ambiente (AMA) esteve na casa dos Rossi para entregar a autuação. O diretor técnico da AMA, Júlio Bittencourt, afirma que a multa é cobrada do proprietário da árvore, ou seja, do morador da casa em frente. Não estou dizendo que eles são os autores do estrago, mas são os responsáveis pela árvore, explica Bittencourt. Segundo ele, infelizmente muitas pessoas na Cidade estão adotando essa técnica para acabar com árvores que incomodam. Ele afirma que todos os casos que chegaram até a AMA foram autuados. A multa varia de 1 a 30 UFLs (Unidade Fiscal de Londrina) e é definida em cada caso. Cada UFL custa hoje R$ 32,70.
O técnico explica que a retirada da casca impede a passagem dos nutrientes que alimentam a árvore. O vegetal pode morrer, dependendo da profundidade do corte. A AMA aguarda um período para acompanhar o comportamento da árvore. Ela só é cortada se não apresentar sinais de revitalização. Mas, segundo Bittencourt, a maioria das árvores que foram atacadas dessa forma na Cidade não resistiu.


