Estradas rurais de distritos de Londrina estão em condições precárias e causam transtornos para a população. Vias sem moledamento, buracos na pista, falta de acostamento, placas de sinalização encobertas pelo mato alto, falta de galerias pluviais em trechos críticos são alguns dos problemas encontrados pela reportagem da FOLHA, que circulou por cerca de 100 quilômetros de estradas.
Logo no início do trajeto, na Aviação Velha (Zona Sul), a moradora Kawana Ylaira Arauju reclama de uma lombada mal posicionada e sem sinalização adequada. ''Aqui sempre acontecem acidentes com pessoas que não conhecem a região e não sabem que existe uma lombada, pois ela fica em um ponto cego'', aponta. Ela reclama também que a estrada que passa na lateral do Centro de Eventos só é asfaltada em seu início, mas no restante a lama toma conta do local, dificultando a circulação de veículos.
Seguindo viagem até Espírito Santo, a dona de casa Nadir Souza dos Anjos relata que as vias dentro do Patrimônio estão bem cuidadas, e que foram recuperadas há dois meses pela prefeitura. ''Mas como são vias não asfaltadas, as chuvas desse início de ano podem estragá-las de novo, aliás, já começaram a abrir buracos na pista'', alerta.
A situação no Patrimônio Regina é mais crítica. Alenir Góes conta que é dono de uma granja na Estrada do Bule, que liga o patrimônio a Arapongas. Ela destaca que a estrada não é asfaltada e em dias de chuva fica impossível circular na via. ''Se os frangos e as galinhas não recebem ração, ficam com fome, perdem peso e meu prejuízo é muito grande'', reclama a produtora, que contrata tratoristas para poder levar ração à propriedade.
Alenir conta que recorre à contratação de tratores para poder levar a ração em dias de chuva. ''São os produtores rurais que fornecem os alimentos para a população urbana e isso, por si só, deveria justificar investimentos nos distritos rurais'', reclama. Embora uma motoniveladora tenha passado pelo local recentemente, a estrada possui uma série de aclives e declives que dificultam a tração dos veículos e não há uma pista alternativa para os produtores. Perto dali, na Rodovia Mábio Palhano, as placas de sinalização estão encobertas pelo mato alto, inclusive sobre placas que indicam curvas e a velocidade máxima permitida.
Zigue-Zague
No Distrito de São Luiz as estradas de Ouro Fino e da Água da Marreca, que foram asfaltadas há 17 anos, estão sem manutenção há muito tempo. O funcionário de um supermercado do distrito, Leonardo Gomes Del Mônaco, expõe que o tráfego de caminhões é grande. ''A estrada está pior do que a da Pedra de Taquaruna, por onde os motoristas têm optado trafegar, mas o trajeto aumenta muito, mais do que o dobro de tempo e de distância.''
O produtor rural Milton Casaroli radicaliza e sugere até que se retire o asfalto da estrada. ''Se retirarem o asfalto e passarem uma motoniveladora fica muito melhor do que está hoje'', sugere. Casaroli afirma que compensa mais destinar a produção para outro município do que para Londrina. ''Os motoristas que transportam os grãos chegam a cobrar cerca de 50% a mais do que o normal em função da estrada mal conservada'', relata.
Existem pessoas que não conseguem fugir da estrada ruim simplesmente porque vivem às margens. O pedreiro Reginaldo Dias da Silva é um deles e relata que o risco de acontecer uma tragédia é iminente. ''As pessoas fazem um movimento de zigue-zague e podem jogar o carro para cima de outro'', adverte. ''São dois quilômetros de estrada que eu levo meia hora para percorrer'', reclama.
O problema de manutenção da estrada fica mais grave aos olhos de quem possui problemas de saúde. O sitiante Celso Goulart afirma que evita transitar pela estrada, mas seu filho precisa fazer sessões de fisioterapia duas vezes por semana. ''Mas se acontecer uma emergência a gente tem que optar por realizar um trajeto bem mais longo ou tentar a sorte na estrada esburacada, sob o risco de quebrar o carro no meio do caminho'', afirma.
Tempo
Já o assessor executivo da secretaria municipal de Agricultura e Abastecimento, Joaquim Donizetti, afirma que a chuva dos últimos dias é a responsável pela situação de muitas estradas rurais. ''Nós estamos priorizando a recuperação de todas as estradas, mas temos 200 lugares para recuperar e vamos tocando conforme a música, realizando as obras de acordo com um cronograma'', afirma.
Donizetti conta que a Estrada do Bule já foi recuperada, mas não tem como colocar moledamento porque a única fazenda que dispõe do material não quer ceder o material. Segundo ele, a região da Serrinha, a caminho de Maravilha, já foi recuperada.

Confira mais imagens das péssimas condições das estradas:

Estradas rurais em situação precária
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