Estrada rural vira lixão em Ivaiporã
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terça-feira, 09 de janeiro de 2007
Fábio Cavazotti<BR>Reportagem Local 
''A situação já era tão ruim que nunca poderia imaginar uma piora. Mas, por incrível que pareça, piorou. Inacreditável.'' É com esse desabafo que o professor da rede estadual de ensino, Adriano Marcos Diglio, denunciou à FOLHA o despejo irregular de lixo na estrada rural que dá acesso ao lixão de Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana). Operado pela prefeitura em área de preservação ambiental, o aterro a céu aberto, localizado às margens do Rio Pindaúva, se tornou intransitável com as chuvas dos últimos dias. Sem condições de entrar no local, os caminhões passaram a despejar o lixo na própria via de chão batido.
Com isso, os restos de lixo que chegam pela mata ciliar agora têm a companhia dos objetos que alcançam as águas pela própria estrada. A interdição da via, segundo o professor, bloqueou o trânsito de pequenos agricultores que se viram obrigados a utilizar um estrada distrital, que aumenta a distância até a área urbana. ''Nunca vi nada parecido, alguém precisa tomar providêcia'', clama o professor.''Se isso não for resolvido com urgência, vou montar uma barraca na praça para coletar assinaturas e entrar com uma ação popular contra a prefeitura, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Ministério Público (MP). Quem não é culpado por ação, é por omissão'', critica.
A situação calamitosa do lixão de Ivaiporã foi tema de matéria da FOLHA em setembro de 2006. Na ocasião, o promotor do Ministério Público estadual (MP), Cléverson Tozzate, afirmou que tomaria providências judiciais contra a prefeitura se os danos ambientais não fossem solucionados até o início de 2007. O prefeito Célio Pereira (PMDB) afirmou, na mesma reportagem, que estava tentando agilizar a instalação de um novo aterro sanitário em local adequado. A prefeitura é responsável pelo transporte diário de 21 toneladas de lixo.
Um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) celebrado em 2003 entre o MP, IAP e a prefeitura já previa a desativação do lixão em 2004. Apesar do descumprimento de prazos, até hoje nenhuma medida judicial ou administrativa foi tomada. A reportagem tentou contato ontem com o prefeito, mas ele está em viagem de férias à Bahia.
O presidente da Câmara Municipal, Ademar Santos Soares (PMDB), disse que a demora na instalação do novo aterro decorre da dificuldade do município em comprar um terreno adequado. ''Quando o IAP concorda com a área, o proprietário não quer vender. Fica nesse impasse'', afirmou. Questionado se a prefeitura não poderia desapropriar a área, ele alegou que o prefeito ''gosta de conversar''.''Se houver urgência, claro que dá para desapropriar, mas o prefeito gosta de dialogar e levar a discussão até um ponto pacífico.''. O vereador, que é também chefe regional da Emater, disse ignorar o despejo de lixo na estrada rural ocorrido nos últimos dias.
O chefe regional do IAP, Maurício Frederico, também foi informado da obstrução da via pela FOLHA. No final da tarde, informou que deve autuar a prefeitu ra. ''Esse pessoal está com brincadeira. Não consegui falar com ninguém da prefeitura, mas amanhã vamos retornar lá. Sem dúvida é uma situação irregular'', afirmou. Frederico disse também que o IAP já concedeu licença prévia para a instalação do novo aterro.
O promotor Cléverson Tozzate afirmou ontem que acredita ''piamente'' na concretização do aterro em 2007. ''Posso dizer que não é de uma hora para outra, mas está sendo feito conforme o planejado''.


